As Brumas de Avalon

Queridos!
Hoje trago uma dica de leitura: As Brumas de Avalon. São 4 livros fantásticos que contam a lenda do rei Arthur sob a ótica das mulheres que tiveram papel forte nela.
Vale a pena!Segue um trecho do livro 1 “A Sacerdotisa de Avalon”:
Hoje trago uma dica de leitura: As Brumas de Avalon. São 4 livros fantásticos que contam a lenda do rei Arthur sob a ótica das mulheres que tiveram papel forte nela.
Vale a pena!Segue um trecho do livro 1 “A Sacerdotisa de Avalon”:
Prólogo 249 d.C.Ao pôr do Sol, soprara um vento fresco do mar. Era a estação em que os lavradores queimam o restolho dos seus campos, mas o vento tinha varrido a névoa que velava os céus, e a Via Láctea traçava um caminho branco pelo firmamento.
O Merlim de Bretanha estava sentado na Pedra da Vigia no cimo do Tor, com os olhos fixos nas estrelas. Mas, apesar de a glória celeste dominar a sua visão, ela não retinha toda a sua atenção. Os seus ouvidos estavam atentos a qualquer som que pudesse provir da habitação da suma sacerdotisa, nas encostas abaixo. Desde a madrugada que ela estava em trabalho de parto. Seria o quinto filho de Rian e as crianças anteriores tinham nascido facil-mente. O parto não deveria estar a demorar tanto. As parteiras guardavam os seus mistérios, mas, ao pôr do Sol, quando se preparava para aquela vigília, tinha visto preocupação nos seus olhos. O rei Célio de Camulodunum, que tinha convocado Rian para o Grande Rito por causa dos seus campos inundados, era um homem grande, de cabelos louros e figura robusta, à maneira das tribos belgas que se tinham instalado nas terras orientais de Bretanha, e Rian era uma pequena mulher morena, com o aspecto daquelas pessoas das terras encantadas que foram as primeiras a viver naquelas colinas.
Não seria surpresa que a criança gerada por Célio fosse exces-sivamente grande para sair facilmente daquele ventre. Quando Rian descobriu que ele a emprenhara, algumas das sacerdotisas mais velhas tinham-na instigado a livrar-se da criança. Mas, fazê-lo seria negar a magia, e Rian disse-lhes que tinha servido a Deusa durante tempo suficiente para confiar nos seus desígnios. Que desígnios haveria no nascimento daquela criança? Os velhos olhos do Merlim percorriam os céus, procurando compreender os segredos escritos nas estrelas. O Sol encontrava-se agora no signo de Virgem, e a velha Lua, passando por ele, estivera visível no céu nessa manhã. Agora ocultara o seu rosto, abandonando a noite à glória das estrelas. O velho envolveu-se nas espessas pregas da sua capa cinzenta, sentindo nos ossos o frio da noite de Outono. Enquanto observava o curso da Ursa Menor pelo céu sem que chegassem notícias, percebeu que tremia não de frio, mas de medo. Lentas como ovelhas pastando, as estrelas moviam-se pelos céus. Saturno brilhava a sudoeste, no signo de Balança. À medida que as horas se arrastavam, ia-se desgastando a coragem da parturiente. Agora, a intervalos, saía um gemido de dor da cabana. Mas só com o despontar da madrugada, quando as estrelas se apagavam, um novo som fez o Merlim pôr-se de pé, de coração sobressaltado ─ o agudo vagido de protesto de uma criança recém-nascida. A oriente, o céu ia já empalidecendo com a chegada do dia, mas, lá no alto, as estrelas ainda brilhavam. O longo hábito fez o velho erguer o olhar para elas. Marte, Júpiter e Vênus brilhavam em conjunção. Treinado nas disciplinas dos Druidas desde a juventude, registrou na sua memória as posições das estrelas. Depois, com um esgar queixoso, devido à rigidez das articulações, pôs-se de pé e, apoiando-se pesadamente no seu bastão entalhado, começou a descer a colina. A criança tinha parado de chorar, mas, quando o Merlim se aproximou da choupana do parto, sentiu como que um nó nas entranhas, porque se ouvia choro no interior. As mulheres afastaram-se quando ele correu o pesado cortinado que servia de porta pois era o único homem com direito a entrar ali. Uma das sacerdotisas mais jovens, Cigfolla, estava sentada a um canto, cantarolando sobre a trouxa de roupas nos seus braços. O olhar do Merlim passou dela para a mulher que jazia na cama, e deteve-se, porque Rian, cuja beleza sempre proviera da sua graça em movimento, estava totalmente imóvel. Os seus cabelos negros espalhavam-se sobre a almofada; as suas feições angulosas começavam a adquirir o inconfundível vazio que faz a distinção entre a morte e o sono.
─ Como… ─ fez um pequeno gesto desamparado, esforçando-se por conter as lágrimas. Não sabia se Rian seria ou não sua filha, do seu próprio sangue, mas para ele, ela tinha sido uma filha. ─ Foi o coração ─ disse Ganeda, cujas feições, naquele momento, se assemelhavam dolorosamente às da mulher deitada, embora, na maior parte das vezes, a doçura da expressão de Rian sempre se tornasse fácil distingui-la das suas irmãs. ─ O parto demorou demasiado tempo. O coração não agüentou o esforço final para expulsar a criança do ventre. O Merlim aproximou-se da cabeceira da cama e olhou para o corpo de Rian e, um momento após, inclinou-se para traçar um sinal de bênção sobre a testa gelada. “Já vivi tempo demais”, pensou entorpecidamente. “Era Rian que devia dizer os ritos por mim”. Ouviu Ganeda suspirar, atrás de si: ─ Diz-me, Druida, que destino prevêem as estrelas para a criança-mulher que nasceu nesta hora? O velho voltou-se. Ganeda estava diante dele, com os olhos brilhantes de raiva e de lágrimas contidas. “Assiste-lhe o direito de perguntar isto”, pensou sombriamente. Ganeda foi preterida em favor da sua irmã mais nova quando a anterior suma sacerdotisa morreu. Supunha que a eleição recairia agora sobre ela. Então, o espírito que o habitava respondeu ao desafio dela. Pigarreou. ─ Assim falam as estrelas… ─ A voz tremia-lhe ligeiramente. A criança que nasceu na Volta do Outono, precisamente quando a noite dava lugar à madrugada, assistirá à Volta da Era, a porta entre dois mundos. O tempo do Carneiro passou, e governará o Peixe. A Lua oculta o seu rosto ─ esta donzela ocultará a lua que traz na fronte, e só em idade avançada alcançará o verdadeiro poder. Atrás dela fica a estrada que conduz às trevas e aos seus mistérios, diante dela brilha a luz crua do dia. ─ Marte está no signo do Leão, mas a guerra não a vencerá, porque é governada pela estrela da realeza. Para esta criança, o amor acompanhará a soberania, porque Júpiter anseia por Vênus. Em conjunção, a sua radiação iluminará o mundo. Nesta noite, todos eles se movem em direção à Virgem, que será a sua verdadeira rainha. Muitos se prosternarão diante dela, mas a sua verdadeira soberania estará oculta. Todos a louvarão, mas poucos conhecerão o seu verdadeiro nome. Saturno está agora em Balança ─ as suas lições mais duras consistirão em manter o equilíbrio entre a antiga e a nova sabedoria. Mas Mercúrio está escondido. Para esta criança, prevejo muitas viagens e muitos equívocos; no entanto, no final, todos os caminhos levam à alegria e à sua verdadeira casa. À sua volta, as sacerdotisas murmuravam: ─ Ele profetiza grandeza, ela será a Dama do Lago, como a sua mãe antes de si!…
─ Como… ─ fez um pequeno gesto desamparado, esforçando-se por conter as lágrimas. Não sabia se Rian seria ou não sua filha, do seu próprio sangue, mas para ele, ela tinha sido uma filha. ─ Foi o coração ─ disse Ganeda, cujas feições, naquele momento, se assemelhavam dolorosamente às da mulher deitada, embora, na maior parte das vezes, a doçura da expressão de Rian sempre se tornasse fácil distingui-la das suas irmãs. ─ O parto demorou demasiado tempo. O coração não agüentou o esforço final para expulsar a criança do ventre. O Merlim aproximou-se da cabeceira da cama e olhou para o corpo de Rian e, um momento após, inclinou-se para traçar um sinal de bênção sobre a testa gelada. “Já vivi tempo demais”, pensou entorpecidamente. “Era Rian que devia dizer os ritos por mim”. Ouviu Ganeda suspirar, atrás de si: ─ Diz-me, Druida, que destino prevêem as estrelas para a criança-mulher que nasceu nesta hora? O velho voltou-se. Ganeda estava diante dele, com os olhos brilhantes de raiva e de lágrimas contidas. “Assiste-lhe o direito de perguntar isto”, pensou sombriamente. Ganeda foi preterida em favor da sua irmã mais nova quando a anterior suma sacerdotisa morreu. Supunha que a eleição recairia agora sobre ela. Então, o espírito que o habitava respondeu ao desafio dela. Pigarreou. ─ Assim falam as estrelas… ─ A voz tremia-lhe ligeiramente. A criança que nasceu na Volta do Outono, precisamente quando a noite dava lugar à madrugada, assistirá à Volta da Era, a porta entre dois mundos. O tempo do Carneiro passou, e governará o Peixe. A Lua oculta o seu rosto ─ esta donzela ocultará a lua que traz na fronte, e só em idade avançada alcançará o verdadeiro poder. Atrás dela fica a estrada que conduz às trevas e aos seus mistérios, diante dela brilha a luz crua do dia. ─ Marte está no signo do Leão, mas a guerra não a vencerá, porque é governada pela estrela da realeza. Para esta criança, o amor acompanhará a soberania, porque Júpiter anseia por Vênus. Em conjunção, a sua radiação iluminará o mundo. Nesta noite, todos eles se movem em direção à Virgem, que será a sua verdadeira rainha. Muitos se prosternarão diante dela, mas a sua verdadeira soberania estará oculta. Todos a louvarão, mas poucos conhecerão o seu verdadeiro nome. Saturno está agora em Balança ─ as suas lições mais duras consistirão em manter o equilíbrio entre a antiga e a nova sabedoria. Mas Mercúrio está escondido. Para esta criança, prevejo muitas viagens e muitos equívocos; no entanto, no final, todos os caminhos levam à alegria e à sua verdadeira casa. À sua volta, as sacerdotisas murmuravam: ─ Ele profetiza grandeza, ela será a Dama do Lago, como a sua mãe antes de si!…




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Um ótimo livro! Eu li todos, já faz muito tempo. Mas lembro que li os quatro em um mês! Um por semana, simplesmente não consegui parar de ler até terminar todos.
Uma leitura envolvente do início ao fim!
Abrasss
oi Claudia!
Obrigado pela sua recomendação… tem algum outro livro que vc poderia nos recomendar?
Abs.