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dez 082009
sobre-castigos-e-punicoes

.çAmigos,

Alguns dias atrás, uma de nossas leitoras nos fez uma sugestão; a de comentar sobre os “castigos” ou punições que os Orixás nos dão, caso falhemos em alguma coisa com eles, como por exemplo, quando não fazemos uma oferta de comida suficiente ou algo do gênero.

ArteFolk Recomenda: Livro dos Médiuns, Allan Kardec

ArteFolk Recomenda: Livro dos Médiuns, Allan Kardec

Resolvi aceitar o desafio.

Sim, desafio, pois esse é um assunto muito peculiar e muito questionado e nós, do ArteFolk, pelo menos a Julia e eu, temos uma opinião completamente discordante da que vigora na maioria.

Hum… como assim?

Para nós, do ArteFolk, os guias são só amor e caridade, então não há muito sentido um espírito, que é só amor, nos punir de qualquer forma, seja qual for o crime que cometemos. Eles entendem as nossas falhas, as nossas imperfeições e compreendem que isso é um processo de crescimento e, mesmo que não fosse, a própria lei universal tem as formas de nos mostrar os caminhos corretos. Isso se chama Kharma. Não é uma coisa que os nossos guias fazem, é algo que nós fazemos a nós mesmos, quanto espíritos que entendem que a evolução é o único caminho possível.

Dentro do universo espiritual, quando não estamos mais presos a questões e limitações da nossa própria carne, durante o sono profundo, por exemplo, não estamos mais presos a questões egoístas que a própria carne nos impõe. E isso é o suficiente para nos livramos de idéias concebidas nesse orbe e enxergamos as coisas de uma forma mais ampla. Muitas vezes, o que nós achamos que são castigos impostos a nós pelos Orixás ou pelos guias, são limitações que nós damos a nós mesmos. Interessante, não? Difícil de acreditar? Talvez. Nós, como seres imperfeitos, temos a mania de tentar jogar a culpa no próximo, e isso é facilmente visto em ditos populares e em ambientes onde a disputa é intensa, como na empresa, por exemplo. Não dizem que o importante não é não errar, mas não deixar que os outros saibam que foi você quem errou?  E no mundo de hoje é muito mais fácil jogar a culpa no outro para nossos erros, mesmo que isso queira dizer jogar a culpa em nossos guias trabalhadores.

Agora nós temos também que entender que existem diferentes tipos de espíritos, assim como nós aqui encarnados somos em vários tipos diferentes. Como nós nos comportamos aqui? Não há indivíduos com momentos egoístas, com momentos maus, com momentos de bondade extrema, com momentos de sabedoria extrema? Assim são os espíritos também: não há espíritos puramente ruins ou puramente bons, é tudo uma questão de momento. Todos carregamos as duas forças, boas e ruins, e o equilíbrio é a melhor forma de levar essas duas metades. Sem nos esquecermos que em toda parte boa, há uma pequena parte ruim e vice versa.

E onde quero chegar com isso? Quero chegar no momento onde entenderemos que mesmo os guias tem suas formas de ensinar. Eu não acredito que o caboclo, o espírito que se apresenta sob essa linha de trabalho vá, algum dia, me maltratar. Acredito que haja outras formas melhores de ensinar e, portanto, sabendo que penso fortemente assim, não há motivos para esse espírito usar de força bruta comigo, já que se assim fizesse, provavelmente eu não entenderia. Então ele usa outros subterfúgios. Mas se você só acredita que ele te ensinará quebrando sua perna direita, então ele não terá outra escolha a não ser deixar que você a quebre, já que você vai estar tão disposto a isso, que você mesmo fará isso com você.

Mas Nino, e as histórias de Orixás que ouvimos por aí? Que o filho não quis entrar em desenvolvimento e vivia apanhando?

Bom, para isso existem casos e casos. Existem as mediunidades que são chamadas “mediunidades de provação” que é quando, por exemplo, alguém era um médium muito habilidoso em vidas passadas, mas usou tal mediunidade para ganhar dinheiro, para fins menos nobres. Então essa mediunidade continua com o filho, só que nessa encarnação, ela vem totalmente descontrolada. Então quem ataca o filho não é seu Orixá, mas sim um espírito qualquer que estava por ali e viu a porta aberta. Esse é só um exemplo, mas há outros.

Pode ser que o filho acredito que isso acontece. Aí ele atrairá espíritos que agem assim e entrarão em sintonia. Feito isso, seus guias de verdade tem muito pouco a fazer, já que é uma escolha do próprio filho, mesmo que inconsciente.

Pode ser que o filho ache isso interessante, como forma de chamar atenção. Então, não tenho nem o que comentar.

Pode ser que o filho esteja trabalhando com espíritos que, apesar de assumirem a função de guias, ainda não estejam preparados para tal. Isso acontece por pressão do filho, não dos espíritos, e tende a ir diminuindo conforme ambos aprendem como se trabalha.

Não sei mais o que discorrer sobre o assunto. Acho que me fiz entender, minha opinião sobre as pessoas que “apanham” de seus guias. Temos que entender que não é possível criarmos regras ou parâmetros para nada que inclua pessoas e o contato com a espiritualidade, pois aqui, nós estamos tratando com psiques e algo que não conseguimos ver, ouvir ou medir com instrumentos, excetuando-se os casos mais raros. Temos que tentar entender o todo da questão e pedir auxilio para ver se conseguimos um pequeno vislumbre da verdade. E, afirmo com fervor, quem disser que sabe tudo o que acontece, que desvendou os segredos dos Orixás, dos guias trabalhadores ou mesmo da humanidade, merece todo o descrédito do universo. Inclusive eu.

Abs.

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