Pai Edson Codoense
Amigos,
Já faz um tempo que uma pessoa vem colaborando com nosso site com pontos e matérias, quase diariamente. Como alguns de seus costumes são meio estranhos para nós, paulistas, resolvemos entrevistá-lo para melhor compreender o que se passa. É de Edson Codoense que falo. E a entrevista segue abaixo:
ArteFolk: Você nos disse que mora em Manaus, dê-nos o contato do terreiro que você trabalha, para que quem quiser visitá-lo, possa ir. (se você quiser…)
EC: Sim, moro em Manaus há 26 anos, sou natural de Teresina capital do estado do Piauí.
Endereços: Casa de meu Zelador; MEU ZELADOR CHAMA-SE, JOSÉ AMERICO, CENTRO DE UMBANDA SÃO JOSÉ DE ARIBAMAR; RUA, 19 Nº 55, BAIRRO DE SÃO JOSÉ II. MANAUS-AM.
Com atendimento ao público todas as sextas-feiras, das 20h00 as 23h00.
Endereço da minha casa: Abasse de Caboclo Codoense. RUA BOMAIN Nº 262, QUADRA 469, CONJ. NOVA CIDADE, BAIRRO CIDADE NOVA, MANAUS-AM. FONE: 92-3667-1829. SEÇÕES TODAS AS TERÇAS FEIRAS, DAS 20:00 AS 23 HORAS.
ArteFolk: Você já nos disse algo sobre a Umbanda que toca, (mina jejé, nagô,sacaca ou pajelança e também a Umbanda chamada de pé no chão). Mas o que mais tem intrigado nossa equipe são os nomes, que são bastante diferentes dos que estamos acostumados. Por exemplo, você citou sua mãe de coroa, a dona Toya Jarina, não é isso? Ela é uma cabocla? Uma preta velha?
EC: exato; aqui no Amazonas, nós cultuamos o Tambor de mina, que sofre uma influência muito grande da Umbanda, como também acontece hoje no Pará, no Maranhão, e em outros estados brasileiros. Então podemos dizer que a nossa Umbanda toca Jeje, nagô, sacaca (pena e maracá), Omolocô, Catimbó, gira de caboclo, toca um pouco de cada. Alguns já chamam até de Religião afro-Indígena.
Agora falando de dona Toya Jarina, ela é uma encantada Gentil, Nobre da Família dos Lençóis, filha de Rei Sebastião o mesmo da batalha de Alcacer-Quibir. Ela também foi mãe do Saudoso Pai de Santo já desencarnado, Francelino de Shapana do terreiro de mina de São Paulo, a Casa das Minas de Toya Jarina. (Jardim das Nações no Município de Diadema). E ela não é uma preta velha.
ArteFolk: E sua mãe de Ori (coroa) se manifestou aos sete anos? Conte-nos como foi essa experiência para você.
EC: Bem… rsrsrs, para uma criança a experiência com o primeiro contato com um ser de um plano diferente do nosso é estranho, vou contar: quando tinha por volta de sete a oito anos eu e meu irmão mas novo estávamos brincando no quintal de nossa casa ainda em Teresina quando sofri um acidente. Pisei na bola e caí no chão cortando a minha língua quase que a decepando, corri risco de vida pois perdi muito sangue. Correria, fui ao hospital, fizeram uma cirurgia reparadora da minha língua, dormi muito, acredito, devido a anestesia geral. Sonhei com uma jovem clara dos olhos cor de mal bem claros, cabelos negros lisos passando da cintura, muito bonita mesmo no meu sonho, estávamos sentados em um campo muito verde tipo pasto, ventava bastante e ela me falava que eu não iria morrer, pois ela estava ali pra cuidar de mim e que na hora certa eu iria sentir e ouvir vozes, mas que eu não me preocupasse que a partir daquele momento ela estaria sempre do meu lado pra cuidar de mim; Pois o que fizeram comigo foi simplesmente uma maldade da qual perturbará o reino dos encantados.
Alguém com o coração cheio de ódio e de maldade fez um feitiço para os meus pais e eu como Médium absorvi todo o feitiço, depois fui saber que era um vizinho que queria comprar a casa onde morávamos com meus pais, não quiseram vender, uma coisa assim, coisa boba mas acontece, infelizmente a cobiça é um pecado capital. Quando pude falar novamente, pois fiquei impossibilitado bastante tempo sem poder falar, contei pra minha mãe biológica o que eu tinha sonhado ela ficou perplexa com o que eu falei, e me levou à casa de minha avó materna, a qual trabalhava na missão, acho que com seu Pena Verde que estava na cabeça dela, não me lembro direito, e contou realmente para minha mãe o acontecido e que eu precisaria desenvolver a minha mediunidade. Realmente a partir dos 14 anos comecei a ver vultos, ouvir vozes, às vezes estava em sala de aula começava a cantar os pontos dos guias… rsrsrsrs…chega a ser engraçado quando você não sabe das coisas… Passando tempos sempre sentia as aproximações das entidades, já aqui em Manaus, numa noite dentro da sala de aula eu comecei a cantar um ponto de caboclo e uma amiga (hoje minha irmã de santo, Marilene de Cabocla Delzuita de Almeida, moça bonita) da classe ficou ouvindo e quando eu o terminei me perguntou se eu era Umbandista. Eu disse “Deus me livre”, não sei nem o que é isso, ela riu e me falou, “mas você cantou um ponto de caboclo”, eu sei lá às vezes isso acontece comigo, ela disse então “tá, vamos comigo num lugar que você vai saber o que é”. E fui, quando cheguei, ouvi o toque do tambor pela primeira vez, era a casa de meu zelador José Américo conhecido como seu Zé de Caboclo Zé Raimundo, fiquei do lado de fora olhando, intrigado com os pontos que eram semelhantes aos que eu ouvia. Seu Zé Raimundo ficou me olhando esperando o tambor parar de tocar pra poder falar comigo. Lá de dentro ele falou em voz alta: entre “filho meu” eu estava te esperando; entrei rsrsrsrsr e não saí mais. Quanto à moça do sonho, mas tarde fui saber que se tratava de Toya Jarina, no dia em que recebi meu amaci de confirmação a tal moça se manifestou incorporada em mim e disse, segundo meu zelador:” eu venho de tão longe, sem conhecer a ninguém, eu venho colhendo as rosas, que nas roseiras tem, quem quiser saber meu nome perguntem a meu irmão,me chamo Toya Jarina filha de Rei Sebastião”…
Hoje ela vem uma vez por ano exatamente no dia em que se comemora o dia de São Sebastião o santo da Igreja católica (20 de Janeiro). Presta uma homenagem ao santo de acordo com o sincretismo da Umbanda com a Igreja católica.
ArteFolk: O terreiro que você é pai pequeno é diferente do terreiro que você zela? Por que?
EC: É uma pequena diferença no Terreiro de meu Zelador responsável pelo desenvolvimento de minha mediunidade, é Umbanda se toca com pontos em Português e no Abasse de Caboclo Codoense se toca e canta em português e nina, com cantos Yorubás. Devido à influência do trabalhador Caboclo Codoense, que tem laços com Vodum Poliboji que também tem laços com Acóssi, Acossapatá ou Odan.
O resto é exatamente igual a casa de meu Zelador.
ArteFolk : Você também se utiliza dos Orixás do panteão maior da Umbanda (Oxossi, Xangô, Ogum, Oxalá, Oxum, Yansã e Yemanjá) como forças primórdias da natureza, ou tem neles as forças de deuses antepassados, como é forte no candomblé?
EC: Sim, sim, cultuamos os orixás do panteão maior da Umbanda como divindades da natureza sem nenhuma duvida, nesse caso a Umbanda fala mas alto.
ArteFolk: Aqui em São Paulo, utilizamos as imagens de índios como representação dos caboclos (mesmo sabendo que caboclos não são índios), talvez porque aqui tenhamos uma visão deturbada da situação. Vocês aí em Manaus, têm uma visão diferente?
EC: Aqui no Amazonas, temos o costume de chamar todos de caboclos, tanto faz ser origem indígena ou mesmo de outra origem, o que realmente diferencia as entidades são suas ferramentas (apetrechos, roupas, penachos, espadas) e seus pontos, no qual ele diz quem é e qual família ele pertence, aí entra a influência da Mina dentro da Umbanda e vice versa.
Também aprendemos que os caboclos podem se manifestar por várias linhas ou correntes, exemplo: vou usar o seu Roxo, ”Caboclo Roxo tem a cor morena, ele é Oxossi caçador lá da Jurema…” entendemos que ele esteja na linha ou corrente das matas Índio, Oxossi caçador lá da Jurema, então ele usa pena, cocar e flechas.
Mas na sua origem ele é da Família da Turquia, chefiada pelo pai Turquia rei Mouro. Vieram de longe através dos mares e têm origem nobre… Ai ele já canta assim… “Santana é mãe de Maria, Maria é mãe de Jesus, como se chama esse menino? Sou Manoel da Vera Cruz”… Nesse caso ele usa Chapéu.
Imagino que o culto da Umbanda aí em São Paulo seja a Umbanda pura sem a influência da nação mina. Por isso essa diferenciação de Linhas.
O seu Codó, como eu chamo o meu guia trabalhador, usa chapéu pois é da sua origem usar essa ferramenta o que faz diferenciar dos caboclos índios apesar de ser das Matas do Codó, não é índio e tem variações de linha, pode vim moço ou mesmo velho.
ArteFolk: Você nos mandou um texto muito interessante sobre a linha (ou entidade?) Légua Boji, que também não é comum aqui em São Paulo. Existem outras linhas que não são tão conhecidas? (aqui trabalhamos muito forte com Exu, Caboclo, Preto Velho, Crianças, Exu Mirim, Boiadeiro, Marinheiro e Cigano)
EC: Veja como a nossa Umbanda é mesmo maravilhosa e intrigante: existem várias linhas, ou famílias, na Umbanda tradicional (pura).
Cultuam-se mesmo as sete linhas: Oriente 7,Omolocô 6, Almas 5, Angola 4,Nagô 3,Gége 2, Kêto 1.Dessas setes linhas se difundem variadas falanges, conhecidas em algumas regiões e desconhecidas em outras regiões.
Isso faz com que a Umbanda seja enigmática, é preciso muita cautela e Tempo de Dedicação para se poder alcançar um conhecimento com as linhas e falanges difundidas. Cautela, eu costumo dizer aos meus seguidores, cautela em relação às linhas desconhecidas. Aqui em Manaus, eu não tenho conhecimento da linha de Cigano já aí em São Paulo vocês a conhecem muito bem, isso se torna enigmático na Umbanda… rsrsrs.
Posso te dizer que é raro aqui na Capital a linha de Sacaca (pajelança, pena e maracá), já no interior do Estado é bem mais conhecida, rezadeiras, pajés que usam o conhecimento das ervas Amazônicas e a linguagem de várias tribos indígenas para tratamento de enfermidades, seja ela no âmbito espiritual ou mesmo material.
Respeitamos muito a linha da Sacaca, pois ela é um tanto desconhecida e temos cautela no que não é conhecido; O conhecimento dessa linha é dos pajés, que sabem como ninguém os mistérios da erva SACACA, do TAUARI da PENA e do MARACÀ.
Arte Folk: Já teve contato com algo do Espiritismo (doutrina Kardecista)? Acha importante?
EC: Não me aprofundei no espiritismo Kardecista, cheguei a ler algumas páginas do Livro dos Médiuns, mas não me aprofundei nessa doutrina.
Tudo que vem aproximar o homem a Deus criador de tudo que há no universo eu acho importante sim.
ArteFolk: Quer deixar alguma mensagem para quem nos lê?
EC: Ah sim, gostaria de deixar aqui uma prece.
A prece de Ismael.
“Glória a DEUS nas alturas, paz aos homens na Terra! JESUS, bom e amado Mestre, sustenta os Teus humildes irmãos pecadores nas lutas deste Mundo!
Anjo bendito do SENHOR abre para nós Teus compassivos braços. Abriga-nos do mal, levanta nossos espíritos à majestade do Teu Reino, infunde em todos os nossos sentidos a luz do Teu imenso amor!
JESUS, pelo Teu sublime sacrifício, pelos Teus martírios na cruz, dá a esses que se acham ligados ao pesado fardo da matéria, a orientação perfeita do caminho da virtude, o único pelo qual podemos TE encontrar!
JESUS, paz a eles, misericórdia aos nossos inimigos! Recebe em Teu seio bendito, a prece dos últimos de Teus servos!
Bendita estrela, farol das imortais falanges, purifica-nos com Teus raios divinos, lava-nos de todas as culpas, atrai-nos para junto do Teu seio, santuário bendito de todos os amores!
Se o mundo, com seus erros, paixões e ódios, alastra o caminho de espinhos, escurecendo o nosso horizonte com as trevas do pecado, rebrilha mais com a Tua misericórdia, para que seguros e apoiados no Teu Evangelho, possamos trilhar e vencer as escabrosidades do carreiro e chegar às moradas do Teu reino.
Amiga estrela, farol dos pecadores e dos justos, abre o Teu seio divino e recebe nossa súplica pela humanidade inteira! Que assim seja!”
Axé…meus irmãos

quero saber se vc conhece o caboclo zé altino( a linha q ele vem sua familia e seus trabalhos) e se posso fazer uma vizita pra conversar sob o umbanda
Claro Erik, fique a vontade para vim em minha casa, desculpe mas eu não conheço
essa entidade Zé Altino, talves Pai Cambinda deva conhece-la,
forte axé!
Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. Mina deriva de negro-Mina de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” , no atual República do Gana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs, cultua-se voduns, onde tambem cito os nobres que são reis e rainhas
Existem dois modelos principais de tambor de mina no Maranhão: mina jeje e mina nagô. O primeiro parece ser o mais antigo e se estabeleceu em torno da Casa grande das Minas Jeje (Querebentan de Zomadônu), o terreiro mais antigo, que deve ter sido fundado em São Luís na década de 1840. O outro, que lhe é quase contemporâneo e que também se continua até hoje é o da Casa de Nagô, localizada no mesmo bairro (São Pantaleão) a uma quadra de distância.
A Casa das Minas é única, não possui casas que lhe sejam filiadas, daí porque nenhuma outra siga completamente seu estilo. Nesta casa os cânticos são em língua jeje (Ewê-Fon) e só se recebem divindades denominadas de voduns, mas apesar dela não ter casas filiadas, o modelo do culto do Tambor de Mina é grandemente influenciado pela Casa das Minas.
Sou filho de santo do maior terreiro de mina do amazonas, onde se toca e cultua mina…e voce sabe de quem eu falo, sou filho do maranhão, nascido e criado onde estive varias vezes na casa das minas onde as velhas mineiras tem grande respeito pelo vodun zomaduno
“Pelo que sei de umbanda onde “eu” custumo chamar de umbanda pé no chão, é onde vejo somente caboclos e trabalhos que são feitos no amaci e velas e nos terreios os pisos são de barro batido, por isso pé no chão e os caboclos(as) que ali visitam seus filhos usam aparementações como penachos etc….
Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira que sincretiza elementos, inclusive de outras religiões como o catolicismo, o espiritismo e as religiões afro-brasileiras….
(esse é o meu ponto de vista)
colofé olorun
colofe!!
já ouvir falar desse caboclo altino, mas foi no Pará, mas não sei lhe informar ainda, vou verificar e volto aqui para falar da linhagem(familia) a qual pertence.
abraços a todos…
Oi Redson!
Muito obrigado pelos esclarecimentos quanto ao trabalho no Tambor de Mina. So uma pergunta: vc tirou essas informações de alguma fonte? Se tirou, por favor, cite-a, só como forma de prestigiar quem fez a pesquisa. Se é coisa sua mesmo, então tudo bem.
Agora, com relação a Umbanda, a forma de culto é ampla demais para ser explicada… dá pra dar um parecer geral, mas cair em especificidades é mto perigoso, pois cada um toca sua Umbanda de uma forma.
Abs.
Nino, muito bom dia…
Nino, comento sobre a umbanda não em forma perjorativa, e isso está longe de mim…é que sempre guardo meus ensinamento recebido, eu ainda criança, observava caboclos chegarem em guma, se aparamentar eu achava aquilo fascinantes e o que me chamava a atenção era todos com o olhos fechados, eu praticamente nasci dentro de um terreiro, para mim a umbanda é uma nação de ensinamentos e estudo ja que tudo e todos gira em torno do inigmatico.
porque digo “pe no chão” é que uma mãe de santo do maranhão ja falecida do terreiro de pedra mirar, falou-me o seguinte: “meu filho o chão é força do universo e a força que nos sustenta e sustenta os caboclos, é de onde vem a força do caboclo, pois os espiritos, orixás e guias são elementares” são ensinamentos de pessoas velhas. por isso falo isso.
fico agradecido por sua replica, e fico feliz em saber que alguem leu e quer saber sobre muitas outras coisas, se todas as nações e nós fosse-mos unidos, todos falariam a mesma lingua…..
abraços…..ashé
Oi Redson!
Eu não tentei sugerir que vc estava fazendo um comentário pejorativo sobre a Umbanda, me desculpe se pareceu. Só comentei que o culto é muito abrangente para cairmos em especificidades.
Abs.
RSrsrsrsrs, é Nino como não sou o dono da verdade….fico só olhando…
Abraços….
sou filha de jarina mas não tenho o pont o riscado dela vc pode me mandaar por e mail
goste de ver um site onde as perguntas são respondidas,na minha cidade não se fala nada sobre isso aqui tem muito preconceito,mas um dia minha cabocla veio incorporada na minh amiga e me mandou conseguir seu ponto riscado e cantado,só então viria sobre a minha cabeça.o que ela quer dizer com isso? o que e sacaca ela disse que sou isso mas foi tão rapido aquilo que fiquei com medo e naõ perguntei…
Oi josi
olha só, acho que é melhor vc das uma verificada nisso… É meio esquisito um guia pedir esse tipo de coisa: é como eu pedir a vc que encontre a assinatura e a música preferida da julia. A única forma de vc conseguir é perguntando pra ela. Se eu fosse vc, não colocaria minha fé nessa história não. Desculpe.
Abs.