Nuno de Xangô

Pai Nuno de Xangô, ou Nuno Guerreiro (nenhuma familiaridade com os membros desse blog), de 36 anos, vive em Portugal e mantém uma tenda de Umbanda com 20 médiuns, atuando como dirigente espiritual. Não é filiado a nenhuma associação de Umbanda por não existir órgãos desse tipo no país de nossos amigos de além mar.

ArteFolk: Como e onde você, Pai Nuno, tomou contato com a Umbanda?
Nuno:
A primeira vez que conheci a Umbanda era ainda uma criança.
Minha mãe estava sempre doente, ia ao médico constantemente mas não encontravam nada nem explicação para a doença. Tivemos então conhecimento da Umbanda, através de uma amiga que mora no Norte de Portugal e nos apresentou o sobrinho (Pai Zinho) como nós o tratávamos, vindo do Brasil à pouco tempo, médium de Umbanda, bem como sua mãe.Foi ele que iniciou a minha mãe, eu na altura apenas assistia às giras tomando os primeiros contatos com as entidades.Iniciei propriamente o meu desenvolvimento uns anos mais tarde, mas já no Algarve (região onde vivemos), com uma família recém chegada do Brasil, que na sua bagagem trazia a Umbanda. Fiz todo o meu desenvolvimento espiritual neste Terreiro de Umbanda – Associação de Beneficência Filhos de Oxalá, onde permaneci mais de 15 anos.Então o terreiro fechou, e por não ter havido nenhum irmão incumbido da sua continuação, passei 2 anos noutro Terreiro de Umbanda, Terreiro de Umbanda Caboclo Nharuê.Apôs estes 2 anos, fundei o Barracão de Xangô, a pedido do Caboclo Pedra Roxa e do Exu Torto, entidades responsáveis pelo nosso terreiro.Estamos fazendo agora dentro de 2 meses, 3 anos de existência, caminhando com os nossos pés, segundo indicações e ensinamentos das entidades da casa.Foi assim, muito resumidamente a minha entrada na Umbanda, com mil e uma histórias passadas durante estes anos.

AF: Já teve algum contato com Candomblé, Kardecismo? Acha importante para um dirigente conhecer esses outros “ramos” do espiritualismo?
Nuno:
Não, apenas tenho conhecimento pela literatura e internet, mas na minha opinião penso que é uma mais valia os dirigentes terem contato com vários “ramos” na espiritualidade. Seja qual for a vertente da espiritualidade o objetivo é o mesmo. O Amor ao próximo, a Humildade e a Caridade.
Em Portugal, pelo menos, pelas informações que vou recolhendo, o Kardecismo está e organizado, infelizmente o Candomblé e a Umbanda, estão de costas voltadas, cada Terreiro, Templo, Ilê ou Barracão não se conhece, os dirigentes não reúnem esforços, para o desenvolvimento e reconhecimento da Umbanda como Religião.

AF: E as religiões Orientais (Budismo, Krishna, Induísmo, Bruxaria)?
Nuno:
Não tenho contato com nenhuma delas, embora tenha lido alguma literatura sobre o budismo, identifico-me com algumas coisas da sua doutrina. Mas como respondi à pouco, penso que para se compreender melhor a humanidade e a religiosidade de cada um, os responsáveis de cada casa, deveriam pelo menos ter algumas noções básicas de como as outras religiões atuam, até que para se compreender melhor, muitos dos trabalhos que as entidades por vezes passam e os próprios conhecimentos que nos transmitem, que se analisarmos bem, tem relação com outras religiões.

AF: Em quais condições você decidiu abrir um terreiro em Portugal?
Nuno: A minha decisão de abrir o terreiro foi quando, depois do fechamento da “Associação de Beneficência Filhos de Oxalá”, e da minha breve passagem no Terreiro de Umbanda Caboclo Nharuê, senti necessidade de continuar a minha aprendizagem e o meu desenvolvimento espiritual e foi assim que se iniciou a preparação do que hoje é o Barracão de Xangô.

AF: Segue alguma linha específica?
Nuno: Não posso afirmar que no nosso terreiro se desenvolve uma Umbanda segundo Mata e Silva, de Saraceni, ou outra pessoa qualquer. Essencialmente praticamos a Umbanda simples, humilde,”de pé descalço”, segundo o que as entidades da casa nos vão passando, onde se pratica a caridade espiritual, tentando sempre ajudar as pessoas que nos procuram, tendo sempre como máxima dar de graça o que de graça nós recebemos, sempre com muito Amor e vontade de ajudar o próximo. Tentando a cada dia ir colocando em prática as máximas de Umbanda – AMOR – HUMILDADE – CARIDADE e nos tornarmos pessoas com outra consciencialização para a relação com os outros.

AF: Como é, hoje, vista a Umbanda em Portugal, sendo um país predominantemente católico?
Nuno:
É um pouco difícil, porque as pessoas não tem coragem para ir na rua e falar “EU SOU UMBANDISTA”, porque sabem que à partida irão sofrer represálias. Isto, segundo a minha opinião, por falta de uma liderança, que possa defender a nossa bandeira e possa explicar e defender a umbanda.
A maioria das pessoas, erroneamente, ouvem falar mal e associam a Umbanda à bruxaria, a pessoas que fazem mal a outras, etc etc., isto em parte devido a um série de pessoas que infelizmente usam e abusam do nome UMBANDA para os seus negócios ilícitos, porque o conhecimento dessa religião é muito pouco ou nulo e as pessoas deixam-se iludir por “falsos profetas”.

AF: Há alguma adaptação feita na Umbanda para Portugal?
Nuno:
Pelo menos na nossa casa, não existe adaptação nenhuma. São as mesmas linhas de trabalho, caboclo, preto-velho, crianças, baiano, boiadeiro, marinheiro, cigano e exú.
Ás vezes, noto que existe uma adaptação das entidades referente ao trabalho passado, pois a mentalidade é outra, não se vê como aí no Brasil uma encruzilhada ou um cruzeiro com trabalhos (velas. flores, charuto), aqui é logo bruxedo. Dai haver uma tomada de consciencialização dos consulentes nesse sentido. De resto penso que é tudo igual. Com os mesmos encantos e desencantos.

Queria aproveitar esta entrevista, para daqui de Portugal mandar um grande Axé a todos os Umbandistas, não só do Brasil, mas que de uma forma ou de outra, estão espalhando pelo mundo e que estão levando o nome da Umbanda consigo. Aos dirigentes de Portugal deixo o repto, deixem de lado as diferenças, e se a Umbanda é importante para cada um de vós, também é importante para a Umbanda a vossa união, o vosso empenho e dedicação. A união das nossas casas, será o início de um longo caminho que a Umbanda tem para percorrer em Portugal.

Axé, muito Axé meus camaradas.

Nuno d’Xangô

Barracão de XangôTerreiro de Umbanda
Lagoa – Portugal

http://barracaodexango.hi5.com
barracaodexango@gmail.com

Nino Denani

Nino Denanié espiritualista livre, embora nos último anos tenha frequentado assiduamente um terreiro de Umbanda. Foi Ogã, mas abandonou a função em nome da assistência mediúnica e do aprendizado contínuo. Já foi kardecista, formado pela FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo), já tocou Umbanda de Nação, e visitou o Candomblé. Curioso por natureza, é meio chato quanto a afirmações absolutistas. Entre em contato comigo: nino@artefolk.com.br

21 Respostas to “Nuno de Xangô”

  1. oi thiago!

    não entendi sua pergunta. religião xango?

    bjs

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  8. Sou da Umbanda, mais já corri o mundo me desenvolvi dentro da sala de aula aos 11 anos de idade sem saber de nada, todas achavam que eu estava louca . Trabalho bem com o povo baiano, cablocos, exu, e recentemente tenho me dedicado ao povo cigano, é fascinante e infelizmente estamos muito distante mesmo assim te desejo muita luz, muita espiritualidade para que possas transmitir a quem te procura a graça desejada na luz cigana. Vou fazer o meu pedido, tenho fé no povo Cigano . Oxalá aumente as suas forças.

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