A frase acima vem da prece tradicional da Missa da Igreja Católica conhecida como Confiteor (do latim “eu confesso”), na qual o fiel reconhece seus erros perante Deus.
O texto em latim segue abaixo:
Confiteor Deo omnipotenti, beatae Mariae semper Virgini, beato Michaeli Archangelo, beato Joanni Baptistae, sanctis Apostolis Petro et Paulo, omnibus Sanctis, et tibi pater: quia peccavi nimis cogitatione verbo, et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Ideo precor beatam Mariam semper Virginem, beatum Michaelem Archangelum, beatum Joannem Baptistam, sanctos Apostolos Petrum et Paulum, omnes Sanctos, et te Pater, orare pro me ad Dominum Deum Nostrum.
abaixo, segue a tradução:
pecador me confesso a Deus todo-poderoso,à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado são Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado são João Batista, aos santos apóstolos são Pedro e são Paulo, a todos os Santos e a vós, Padre, porque pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, rogo à bem-aventurada Virgem Maria, ao bem-aventurado são Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado são João Batista, aos santos apóstolos são Pedro e são Paulo, a todos os Santos e a vós, Padre, que rogueis a Deus Nosso Senhor por mim.
*Texto original retirado do site Wikipédia*
Porque nós, seres encarnados, temos tanta resistência em assumir nossas culpas? Preferimos, quase sempre, delegá-las a outros à assumi-las como nossas falhas.
Lembro de uma passagem de quando era pequeno e morava em Goiânia com meu pai, minha tia e meus irmãos.
Estava em uma rua abaixo da minha, com alguns colegas, todos moleques, e a nossa brincadeira era jogar pedras na parede de uma casa.
Em certo momento, eu acertei uma pedra na janela desta casa e a quebrei. Foi um corre corre geral.
Entrei em casa assustado e fiquei quieto, como se nada tivesse acontecido.
Para minha surpresa, a dona da casa bateu em nossa porta e começou a gritar com minha tia sobre o ocorrido.
Nesse momento fiquei gelado, com medo do que iria acontecer.
Minha tia saiu em minha defesa, dizendo que eu não tinha nada haver com o ocorrido e que a senhora não teria provas para me acusar.
Me senti protegido naquela situação, tendo alguém para me defender, mesmo sendo culpado. Mas porque não assumi a minha culpa? Isto é do ser humano. Temos esta dificuldade. Dificuldade de assumir nossos erros, nossas culpas.
Hoje vejo que agi errado. Mas tenho desculpas; era apenas uma criança de 9 ou 10 anos, assustada e com medo, pois sabia que, com a descoberta da culpa, viria junto o castigo (naquele tempo, leia-se surra de cinta ou vara de amora).
Mas, e nos dias de hoje? Qual seria a atitude tomada? Não sei vocês, mas eu, com certeza, assumiria a minha culpa. Não porque seja santo ou o ser mais correto do mundo. Assumiria simplesmente porque sei que é o correto.
A vida nos ensina que somos humanos e cometemos erros. Mas também nos ensina que, ao cometê-los, aprendemos com eles. Isto faz parte de nossa evolução, como seres humanos e como espíritos encarnados.
Devemos assumir nossas culpas ao invés de transferi-las aos outros.
Se minha vida financeira não vai bem, não devo jogar a culpa em meu patrão, em minha família, minha esposa, filhos. Tenho que assumir a minha culpa. Estou financeiramente abalado porque tomei decisões erradas. Alguém mais tem culpa? Pode até ser que sim, mas tenho que assumir a minha parcela de culpa.
Quantas pessoas vemos por ai reclamando que sua vida não dá certo, e não vê perspectiva de melhora.
E em nosso meio religioso então? Essa é fácil… a culpa sempre é dos outros, encarnados e desencarnados.
Uma palavra muito usada nestas horas é a “demanda”.
Algumas pessoas tem esta palavra como a número um em sua vida. Se algo acontece de errado em sua vida, lá vem a frase: “estão demandando contra mim”. E a pessoa chega a acreditar cegamente que esta demanda é verdadeira. E até concordo que seja, só que é uma demanda dela contra ela mesma.
As vezes é fácil falar que uma determinada empreitada não deu certo porque outros estão demandando contra você. Mas você já parou para analisar friamente o contexto todo? Será que não houve uma falha sua no processo?
Eu acredito em demanda sim. Sei que existem pessoas más, que utilizam deste expediente para prejudicar os outros. Mas temos que ter o bom senso para saber distinguir o que é demanda do que é falha nossa.
Pois então, meus irmãos, as vezes é mais produtivo encontrarmos nossa parcela de culpa do que procurar jogá-las aos outros. Se puxamos para nós, poderemos aprender com este erro e, em uma próxima oportunidade, nos sairemos melhores.
Luz e paz a todos.