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Amigos,

Recebemos, durante a semana que passou, alguns emails com uma notícia, no mínimo, esquisita. A notícia relatava um adiamento da sansão de uma lei que nos ajudaria muito, que seria posta em vigor antes do dia nacional da tolerância religiosa mas que, como pudemos observar, não foi a cabo. Será promulgada só depois dos atos eleitorais.

A lei, chamada de “Plano nacional de proteção a liberdade religiosa”, traria uma certa segurança, além de uma facilidade, para a abertura e legalização dos terreiros. Dilma Rousseff justificou sua decisão com a desculpa de que isso poderia causar indisposições com outras vertentes religiosas, citando principalmente os evangélicos e os católicos, o que seria prejudicial em ano eleitoral. Ou seja: como essas duas vertentes representam a maioria no Brasil, e nesse meio existe, como sabemos e sofremos em nossas peles diariamente, um preconceito aberto com nossos métodos e crenças, o mais fácil foi deixar tal lei para depois da eleição, evitando a perda desses votos.

Que vergonha. Tudo o que posso dizer é isso. Há muito tempo já venho me sentindo nauseado com os representantes que colocamos no poder e isso só veio corroborar com minhas náuseas. Tenho evitado falar de política e coisas de estado aqui no AF, mas dessa eu não posso me furtar.

Pai Ronaldo Linhares, presidente do Santuário Nacional da Umbanda, em São Bernardo, SP, foi procurado pela Folha de São Paulo, onde relatou suas impressões. Não vou repeti-las em meus comentários, mas vou colocá-la na integra no final. As grandes questões que vejo nisso tudo são, em verdade, duas: A primeira é que nós não devemos nos deixar comprar por idiossincrasias. A segunda é que, a despeito do que defendem alguns de nós espiritualistas, nós precisamos de um representante nosso no governo.

Explico-me: Sabemos que temos em nosso poder (e odeio esse termo, mas vou continuar a usá-lo já que estou odiando ter que escrever esse post) uma corja de corruptos e vendidos. Isso não é nenhuma novidade, e quem quiser me desmentir que tente. Sabemos, também, que há exceções para essa regra, como toda a regra tem que ter, e sabemos que essas exceções só são exceções porque ainda não conquistaram o poder. Mas também sabemos que quem os coloca lá e quem permite que assim ajam somos nós mesmos.

Isso mesmo: nos acostumamos a reclamar de quem está lá fazendo essas coisas, mas reclamamos uns para os outros, não nos mobilizamos contra isso. De que adianta reclamar para o cobrador do ônibus que a passagem está um absurdo? Ele é só um trabalhador como qualquer um de nós e não tem o poder para mudar isso. E não adianta quebrarmos tudo, isso só justificaria o aumento, já que novos ônibus deverão ser comprados. O que devemos fazer é ir até a casa do povo, a Câmara Municipal, e enchermos o saco de quem está lá. Até cederem. E se não cederem, em próximas eleições, não devemos dar outra chance. Simples assim. O poder está com as mesmas pessoas há muito tempo, e há muito tempo estamos pagando por isso. Então por que não mudar? O PT é corrupto? Votem no PSDB. Eles também são corruptos? Votemos no PSOL. Mas o Maluf está lá? Votemos no PV. Nenhum deles preta? Votemos nulo. Anulemos nossos votos, já que ninguém presta mesmo, e obriguemos uma troca de pessoas no poder. Não adiantou? Então vamos começar a perturbar essas pessoas. Como disse um comentarista da BAND News FM, essas pessoas são pessoas, elas tem nome e endereço, tem família e usam o banheiro como qualquer um. Vamos começar a fazer campanas em frente a casa dessas pessoas, sem violência gratuita, pois isso só justificaria a tomada de medidas mais drásticas contra nós mesmos, mas vamos começar a perturbar. Vamos tirar o sono deles, enquanto essa corrupção, essa jogada de poder, continuar. Vamos protestar pelos seus caminhos até seus tronos de poder, vamos mostrar que somos um povo inteiro e precisamos ser respeitados. Pois enquanto formos idiotas, seremos tratados como tal.

Meu segundo ponto é, acredito, ainda mais polêmico. Colocar nossos representantes no poder é visto por muitos como uma corrupção ao sacerdócio. Não acho. Acho que devemos andar para frente e já que o sacerdócio é um cargo onde devemos esquecer de nós e cuidarmos dos outros, não há maneira mais sacerdotal de se viver do que a política honesta. Isso é cuidar de nossas necessidades físicas, enquanto o terreiro é a forma de cuidar de nossas necessidades espirituais. Só que esse representante tem que entender que política é política, terreiro é terreiro e usar o segundo para complementar o primeiro, não usar o primeiro como extensão do segundo. Afinal, não quero ver um cara de “abada” com estampa de oncinha em uma reunião com os representantes da indústria brasileira. Há momentos para isso e há momentos para um terno e gravata impressionarem. Mas nunca há momentos para deixarmos a retidão de caráter (princípio básico para um dirigente espiritual, por exemplo) de lado.

Mas, em fim, agora que a caca foi feito, como arrumar?

Bom, quem fez a caca foi a Dilma Rousseff, a ministra-chefe da casa civil e pré candidata a presidência pelo PT, logo, representante do partido. Votem contra nas próximas eleições.

Não precisam se amedrontar, se o PT perder o poder não vão retirar os benefícios para os mais pobres, isso seria um “tiro no pé” para qualquer político. Vão continuar os programas de bolsa-quase-tudo, mas um pequeno alerta será acesso para os pretensos poderosos do nosso país.

E lembrem-se, pelo amor de Deus: eles só são poderosos porque nós, o povo, deixamos.

Abs.

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