sabe-moco-um-marinheiro

‘Sabe moço, é raro quando eu apareço por aqui. Tão raro que quase sou esquecido. Não me importo, eu amo todos vocês mesmo assim.
Moço, é divertido, para mim, estar entre vocês. É sempre um festejo, sempre um gracejo.

Marinheiro, que é marinheiro,
Tem que ser namorador,
Tem que ser namorador,
Em cada cais uma namorada,
Em cada porto um amor
.”*

Para mim é assim, já que nem pescador eu sou. Minha praia é outra, eu fico ali, entre a areia e o mar. Muita gente acha que sou bêbado, às vezes me dão bebidas e eu faço graça, afinal, sei que é de coração. Mas meu balanço não vem do álcool, vem do elemento ao qual me acostumei. Oras, não dizem que sou aliado do sentimento? Sou aliado das águas, quase água pura, e quem já viu água ficar parada? Só vocês, encarnados, é que fazem isso, aprisionam o elemento da vida e a obrigam a renegar sua própria natureza, o movimento, a maré, o seguir a lua, apaixonante lá no cosmo. Quando me uno a você, irmão, tento te lembrar de como era antes de ser tomado pela aridez do mundo, mesmo no útero materno você também balançava. Tento te levar para o meu mundo, meu elemento, onde nada é estático, nada é vazio, nada é duro, e tudo pulsa com a vida. Quando me aproximo, trago comigo miríades de elementais, seres de puro sentimento de amor e felicidade, que inundam seu corpo denso e o mergulham na maré de nossas águas.
Às vezes somos crianças, às vezes somos unidos a outras energias, às vezes direita, às vezes esquerda, depende da maré, às vezes nos disfarçamos, às vezes nos fingimos de sérios, às vezes de bravos, às vezes de desentendidos. Às vezes vimos pelo vento nas velas de nossas caravelas, às vezes pelos braços nos remos, às vezes trazemos a sabedoria do velho pescador, às vezes do jovem capitão de nau. Às vezes negros, às vezes caboclos, às vezes brancos, espanhóis, portugueses, brasileiros, chineses, não importa como faremos para que nos identifique, para que nos acredite, porque por mais que você não se lembre, sempre estaremos lá.

Seu João Marinheiro.

* O ponto correto é
Marinheiro, que é marinheiro,
Tem que ser bom pescador,
Tem que ser namorador,
Em cada cais uma namorada,
Em cada porto um amor
.”’

(Texto de Nino Denani inspirado por João Marinheiro)

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Sabe moço, muita gente acha que o desenvolvimento mediúnico tem hora e dia marcados. Aguardam ansiosos os toques dos atabaques, a música que ajuda vocês a se conectarem conosco. Que engano. O desenvolvimento é muito mais no dia-a-dia do que naqueles parcos minutos de contato estreito.
Afora as costumeiras indicações de estudo, ainda temos por base a coisa mais simples de se explicar, mas mais complicada de colocar em prática: Amor ao próximo.
O trabalho não é só ali, “guia em terra aconselhando”. É no seu dia, sendo aconselhado e praticando o que, diversas vezes, sai de sua boca no terreiro. Vemos muitos médiuns aconselhando: perdoa. E praticando atos de vingança depois, seja maltratando alguém na rua porque este não lhe deu licença, seja destratando um colega de trabalho, um familiar.
Moço, a onda sempre volta à areia, assim como as reações sempre voltam a quem pratica o ato. A energia desprendida sempre retorna na mesma vibração, mesmo que essa energia seja liberada só por um pensamento.
É difícil, você vai pensar, mas se não houver tentativas, não haverá vitórias. Ou você pensa que toda vez que lançamos a rede a recolhemos cheia? Mas se pararmos no primeiro fracasso, na primeira tentativa frustrada, nunca conseguiremos trazer o alimento esperado. E assim como o peixe, os bons atos alimentam a alma e facilitam a sublimação energética, facilitando, também, nosso contato convosco.
Desenvolvimento mediúnico também é desenvolvimento pessoal, tornar-se melhor também facilita lá, naqueles parcos minutos, a comunicação e o trabalho.
Reflita suas ações e pergunte-se se você está se desenvolvendo.

- Mensagem do Espírito Mathias por Nino Denani

a-vida-e-pra-beber-seu-moco

Sabe moço, tem vezes que nós ficamos com os nervos a flor da pele. Tudo o que pensamos é ruim, pouca coisa nos agrada e nossa vontade é de descontar no mundo todo. É normal, até nós aqui, do outro lado, temos dias assim. Até o mar tem suas ressacas, os dias ruins, em que nenhum pescador se atreve a jogar suas redes, a içar a bujarrona ou ligar seu motor. Eles sabem entender os humores do grande mar, da mãe d’água. E sabem que se esperarem, logo a turbulência passa e a vida continua.
Na vida, seu moço, é assim também: agente tem que saber esperar o tempo certo das coisas. Mas esperar não quer dizer morrer, nem deixar a vida passar, não é isso não! A vida é como uma garrafa, uma vez aberta, tem ser consumida. Vai de você engolir tudo e ficar bêbado, ou tomar aos poucos e apreciar o sabor da bebida, com parcimônia e sem exageros. Como a bebida, se fizermos do primeiro jeito, a vida pode ser boa no começo, mas depois vai dar uma dor de cabeça…

No mar o barco vem,
No mar o barco vai.
No barco o moço segura,
Senão cambaleia e cai!

Seu João Marinheiro, 20 de agosto de 2008

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