Amigos,
diante da impossibilidade de alguns de nossos amigos nos enviarem textos, nós vamos preencher essas lacunas com pequenos estudos dos livros codificados por Kardec, muito útil para nós, idependente de sua doutrina espiritualista. Hoje, nós iniciaremos pela primeira parte do Livro dos Espíritos, no capítulo entitulado “As causas primeiras”
Esses estudos serão feitos da seguinte maneira: publicarei um pequeno pedaço do livro e logo em seguida, tentarei traçar breves comentários.
Espero que ajude a todos.
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ArteFolk Recomenda: O Livro dos Espíritos
Deus e o infinito
1 O que é Deus?
– Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.1
2 O que devemos entender por infinito?
– O que não tem começo nem fim; o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.
3 Poderíamos dizer que Deus é infinito?
– Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, que é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência.
☼ Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é infinito é tomar o atributo2 de uma coisa por ela própria, é definir uma coisa que não é conhecida por uma outra igualmente desconhecida.
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O texto colocado após o travessão na seqüência das perguntas é a resposta que os Espíritos deram. O sinal ☼ indica que é um comentário de Kardec às respostas dos Espíritos (N. E.).
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Atributo: qualidade de um ser, aquilo que lhe é próprio. Neste caso, ser infinito é uma das qualidades de Deus entre todas as demais, mas não é só isso, ou não é o bastante para O concebermos (N. E.).
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Amigos,
essa primeira parte do livro, que poderíamos chamar de prólogo, é só uma tentativa de Kardec de exemplificar, de identificar o que é Deus. A doutrina espírita deixa muito claro que devemos tentar tirar Deus como alguém de nossa mente. Deus não é “alguém”, ele é “algo” e é nesse contexto que o Espírito da Verdade nos diz que Deus está além de nossa própria compreensão, de nossa expressão. Deus, como energia, então, pode estar em toda a parte e permear a tudo.
4 Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?
– Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá.
☼ Para acreditar em Deus, basta ao homem lançar os olhos sobre as obras da criação. O universo existe, portanto ele tem uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e admitir que o nada pôde fazer alguma coisa.
5 Que conclusão podemos tirar do sentimento intuitivo que todos os homens trazem em si mesmos da existência de Deus?
– A de que Deus existe; de onde lhes viria esse sentimento se repousasse sobre o nada? É ainda uma conseqüência do princípio de que não há efeito sem causa.
6 O sentimento íntimo que temos em nós da existência de Deus não seria o efeito da educação e das idéias adquiridas?
– Se fosse assim, por que vossos selvagens teriam também esse sentimento?
☼ Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse o produto de um ensinamento, não seria universal. Somente existiria naqueles que tivessem recebido esse ensinamento, como acontece com os conhecimentos científicos.
7 Poderemos encontrar a causa primária da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria?
– Mas, então, qual teria sido a causa dessas propriedades? Sempre é preciso uma causa primária.
☼ Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porque essas propriedades são elas mesmas um efeito que deve ter uma causa.
8 O que pensar da opinião que atribui a formação primária a uma combinação acidental e imprevista da matéria, ou seja, ao acaso?
– Outro absurdo! Que homem de bom senso pode conceber o acaso como um ser inteligente? E, além de tudo, o que é o acaso? Nada.
☼ A harmonia que regula as atividades do universo revela combinações e objetivos determinados e, por isso mesmo, um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso seria um contra-senso, porque o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente não seria mais um acaso.
9 Onde é que se vê na causa primária a manifestação de uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?
– Tendes um provérbio que diz: “Pela obra reconhece-se o autor.” Pois bem: olhai a obra e procurai o autor. É o orgulho que causa a incredulidade. O homem orgulhoso não admite nada acima dele; é por isso que se julga um espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!
☼ Julga-se o poder de uma inteligência por suas obras. Como nenhum ser humano pode criar o que a natureza produz, a causa primária é, portanto, uma inteligência superior à humanidade.
Quaisquer que sejam os prodígios realizados pela inteligência humana, essa inteligência tem ela mesma uma causa e, quanto mais grandioso foro que ela realize, maior deve ser a causa primária. É essa inteligência superior que é a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome que o homem lhe queira dar.
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Amigos,
Nessa parte do livro, Kardec tenta estabelecer de onde vem nossa idéia de divindade, ou seja, de onde o ser humano tira a idéia de um ser supremo, ou algo supremo, que atinja a tudo e a todos. Se pararmos para pensar friamente, não faz muito sentido, a não ser pela explicação do conhecimento intuitivo advindo de outras eras, a “construção”, digamos assim, de algo ou alguém que criou a tudo e a todos não faz muito sentido. Hoje, pelas modernas técnicas científicas já conhecidas, nós pudemos conhecer toda uma história material da criação da vida, do planeta, do cosmo. Parece, ao incauto observador, que tudo isso segue uma regra do acaso: acaso as moléculas se juntaram, acaso a energia se contraiu tanto que explodiu. Mas e antes disso? E de onde vem esse acaso?
A teosofia (em palestra sobre a criação do mundo, por Carlos Conte), apoiada nos estudos de H. Blavatski, diz que esse acaso é praticamente impossível, devido ao número de variáveis necessárias para que uma cadeia de moléculas se junte a ponto de formar uma cadeia de DNA, por exemplo. Se faria necessário, então, uma inteligência já superior para arquitetar tal aglutinação. Dessa tese, mesmo sob o ponto de vista científico moderno, cabe a figura de um ser inteligente, ou de uma energia que a tudo une. Essa energia, conhecida pelos hinduístas coom Prana, também podemos chamar de Deus, já que está tão além de nossa compreensão que a distinção de um e de outro se torna muito tênue.
Então, por termos todos a ligação primordial com tal energia, e por termos remanescências de memórias que passam pelo véu do esquecimento como instintos, a lembrança da vida no além nos trás a presente figura de Deus. Todos os povos, não importa sua localização geográfica ou histórica, trás essa figura em sua fonte religiosa. E é tal pensamento que é discutido por Kardec com o Espírito da Verdade.
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