coisas-que-acontecem-na-vida

Coisas que acontecem em nossas vidas.
- Mas o que eu posso fazer para que ela volte para mim?
- O que você acha que fez para que ela se afastasse?
- Não sei. Nossa última briga foi por causa de ciúmes. Eu tenho algumas amigas que costumam sair sempre e elas sempre me chamam para sair. Eu convido ela para ir comigo, mas ela nunca quer… e dessa última vez eu acabei indo e quando voltei ela não estava mais em casa. Agora não atende meus telefonemas, não responde meus emails…
- Mas por que você resolveu sair com suas amigas só agora?
- Bom, faz dois anos que estamos juntos e desde então nunca mais tive contato com ninguém. Sei que tenho um passado que me condena, mas para mim é assim: quando estou com alguém, estou só com ela. E deixei minha vida para trás.
- Mas você a ama?
- Sim.
- Quanto?
- Muito. Muito mesmo.
- E ela, ama você?
- Acredito que sim.
- Hum…
- Quer dizer, eu acho. Queria me casar com ela e ter filhos… vivermos juntos até que a morte nos separe e essas coisas todas.
- Vocês conversavam muito?
- Às vezes, acho que o papo foi ficando mais escasso durante o tempo, mas isso é coisa de quem está muito tempo junto.
- E o que ela tem te ensinado nesse meio tempo?
- Bom, no início, ficar com ela era uma aventura. Nós saíamos para todos os lugares, viajávamos muito, sempre para um lugar diferente, sempre das formas mais legais possíveis. Conversávamos sobre tudo; política, futebol, astronomia, línguas… sobre tudo o que eu sabia e sobre tudo o que ela sabia. Mas aí, com o tempo, fomos ficando mais calados, falando sempre sobre as mesmas coisas, paramos de passear, de nos divertir. Acho que é a rotina.
- Rotina?
- É, rotina. Vejo isso em alguns casais amigos, quando ainda saíamos juntos. Agora, nossos finais de semana se resumem a ficar em casa e assistir a televisão. Sabe, ela parou de estudar, terminou a faculdade e faz pouco tempo, perdeu o emprego também. Não tenho muito assunto a falar com ela, já que ela não tem muito o que falar comigo… Tudo acaba virando um monólogo. Acho que ela nem assiste ao jornal para termos sobre o que falar.
- Bom… relacionamentos existem para que duas pessoas possam aprender. Enquanto um tem o que ensinar ao outro, as coisas acontecem com facilidade. Mas para isso, é necessário duas coisas: a primeira é que os dois sempre se atualizem. Não falo isso com relação à notícias e tal, falo em se atualizar na vida mesmo. A pensar o que é a própria existência, o que é que fazemos no nosso dia. Para isso não precisamos ler jornais, livros ou qualquer coisa do tipo, só precisamos pensar. O que me leva a segunda coisa: mente aberta. Quando estamos abertos ao mundo, o mundo está aberto para nós. Com a mente aberta, podemos ouvir poucas palavras de alguém e descortinar um universo a nossa frente. Mas, quando um não tem mais o que ensinar ao outro, o um não quer aprender o que o outro ensina, sabe o que acontece?
- É melhor seguir em frente?
- Não vou dizer isso, isso cabe a cada um escolher. Mas a lição, se não for recíproca, perde a graça. Só gostamos de ensinar quando também aprendemos com isso. Quando o trabalho é unilateral, só se ensina, ou só se aprende, perde a graça.
- Então, é melhor seguir em frente?
- O que você acha?
- Acho que não sei viver sem ela.
- Todos nós nascemos completos. O que vem, a partir do dia do nosso nascimento, é recompensa ou penalidade, não necessidade.
- É, olhando por esse lado, acho que nós não tínhamos mais muito o que dizer mesmo.
- E o que você pode fazer para ela voltar para você?
- Nada, acho. Talvez sejamos mais felizes assim.
- Talvez.
- Bom amigo… era isso. Acho que vou voltar para casa, tenho muito o que pensar agora que estarei sozinho.
- Não se preocupe. Eu vou com você.

Carta de João de Deus, 23 de março de 2010

e-na-espiritualidade-acontece-o-carnaval

Imaginem-se em meio a um turbilhão de sentimentos baixos, vis, coisas que  normalmente não vemos mas que nos achamos no direito de, durante uma determinada época do ano, deixar fluir de dentro para fora.
Nós, do lado de cá, somos bombardeados por vibrações as mais diversas, e a dificuldade de manter a situação estável é por demais dificultosa.
Nesse período em especial, vocês aí e alguns de nós aqui, nos achamos no direito de baixar e por tudo o que conquistamos durante o ano a perder, pois nos afinamos a pessoas que se mantém como nós.
Hoje, com  a crescente onda de desimportância em que vivemos, de egoísmo e egocentrismo,  a vontade de ser inconveniente e perigoso é ainda maior. Bebe-se muito, fuma-se muito, dá-se vazão a desejos ainda mais baixos. Tudo isso nos faz ver espíritos densos se alinhando a vocês, encadnados, dando ainda mais vontades e mais desejos. O problema é sucumbir a tudo isso.
Em apenas três ou quatro dias, uma infinidade de espíritos baixos se unem a encarnados. E a ressaca, se posso chamar assim, disso tudo é o que vocês chama de “quaresma”.

Longe de mim perpetuar as lendas que vemos por aí, de portões do inferno e coisas afim. A simplicidade do que ocorre é tanta que não caberia uma figura de linguagem tão forte: espíritos estão todos por aí, nós somos muitos, encarnados e não encarnados. E toda ação tem uma reação. Você se embebedou, se uniu a espíritos que estavam no esquecimento e se compraziam com sua situação. Nós, de uma outra corrente, depois, ficamos tentando afastá-los de vocês novamente. Observem e percebam: a quaresma é um período denso, obscuro, tão denso que até o clima da terra se torna insoso. Temos muito trabalho aqui: alguns recebendo os recém desencarnados e tentando impedi-los de se vingarem, alguns desgrudando verdugos, outros convencendo espíritos a seguirem seus caminhos longe dos encarnados. As esferas se enchem de trabalhadores, é um período longo e tenso, algumas miríades deixam seus trabalhos na crosta para ajudar seus irmãos deste lado. Algumas casas ficam tão desfalcadas que tem que fechar durante esse período, por falta de guarda. Não só os que “incorporam” é que trabalham, existem outros que fazem proteção, encaminhamento, guarda, transformação… é uma equipe grande do nosso lado. Outros centros precisam de mais pessoal, outros de menos. Os que trabalham com energias muito densas, espíritos especialistas nessa área, geralmente se afastam da crosta para atender em outros lugares daqui. Outros, especialistas em cura, em acalanto, acabam deixando seus centros para cuidar de hospitais, de mães aflitas, de pais preocupados.
É o círculo da vida, o circo em que a humanidade mergulha, para “esquecer” problemas e esquecer da vida.
Mas o que mais nós poderíamos fazer? Somos simples trabalhadores da seara de Deus. E compreender o próximo é nossa maior meta. Tudo o que podemos recomendar do nosso lado é: cuidado. Por favor, cuidem-se. Não dêem vazão a sentimentos ruins, não se deixem levar pelos vícios ou por desvios. Não se enervem, tenham paciência. A vida é para ser vivida, mas não toda de uma vez.

Cartas de João de Deus, 19 de fevereiro de 2009.

o-elo-do-mal

Imagine-se observando passivamente um agrupamento de pessoas. Imagine que dentro desse grupo um certo indivíduo tenha acordado de mal humor. Assim que ele levantou, por causa de uma noite mal dormida, acabou não tendo tempo de se refazer e a falta desse “refazimento” o deixou desequilibrado. Acordou nervoso, em fim.
Atrasado, corre até a mesa da cozinha onde encontra um café quentinho, feito por sua mulher e, na pressa, dá uma grande golada no café sem açúcar. O amargo o faz soltar um palavrão, babar na camisa e xingar sua mulher, tão carinhosa. O ataque transfere um pouco do seu mau humor a sua mulher que revida e a situação se torna uma briga. Ambos saem nervosos de casa.
Imagine essa mulher pegando o metrô cheio, cansada e de cara amarrada pela situação de ha pouco. Dentro do coletivo o espaço é escasso, pessoas se trombam e se empurram, todos com o mesmo objetivo: se locomover até o trabalho. A sua frente, um rapaz dorme, sentando no banco. A mulher, já alterada, se acha injustiçada. o rapaz ali, belo e folgado, e ela de pé, sem nem ao menos conseguir endireitar o corpo. De leve, dá um empurrão no pé do rapaz.
Imagine o rapaz acordando assustado, dormiu poucas horas durante a noite, sua mãe não estivera bem de saúde e ele velou por ela a noite toda. Cansado, antes do trabalho, dera graças a Deus pelos poucos minutos de sono que conseguiria ali, no metrô, até ser “chutado” por uma mulher estranha. E sua mente, o rapaz se acha injustiçado e o nervoso vai se intensificando a cada minuto. Em dada estação a mulher desembarca, deixando o rapaz frustrado por não conseguir se vingar.

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sobre-o-proximo

Amigos,

Tenho acompanhado algumas vezes meu filho se esgueirando por aí, com a mesma mania que eu tenho de caminhar pelo mundo, observando e observando, e tirando minhas conclusões. Tenho visto, nessas mesmas andanças, o estado de espírito de algumas pessoas no meio do caos comum do dia a dia. E lamento muito por algumas situações que, como todo o resto, são criadas por nós, para nós.
Um importante mandamento de Deus é “Amar ao próximo como a si mesmo”. Digo importante por ser o segundo e por ser, definitivamente, o que resolve a grande maioria das coisas. Se você não acredita em Deus e nos mandamentos, raciocine da seguinte forma: se nós pensássemos sempre no bem estar da pessoa que está ao nosso lado, consequentemente, a pessoa ao nosso lado estaria pensando no nosso bem estar. É contagioso. Assim como o oposto também é.

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o-estranho-na-beira-do-rio

 

Às vezes, no final do dia, quando o sol já se encontra baixo no horizonte só revelando uma fina faixa de luz alaranjada com tons de carmesim, quando sinto que meu dia já rendeu o suficiente e que preciso descansar algum tempo, procuro um lugar para sentar e refletir.
Como é difícil fazer isso hoje em dia. Sempre há agitação, corre-corre, sempre há alguém que precisa de um outro alguém e quando existe muito o que fazer, raramente o ócio se fixa por algum tempo. Tanto é perdido por isso, pela simples falta de tempo para pensar.
Todos sabem disso, embora só alguns realmente sintam essa falta. Em horas como essas, costumo procurar um lugar calmo e relaxante e, dia desses, pedi licença a um belo riacho para lhe fazer companhia. Um estranho que andava na outra margem, ouvindo minhas palavras, perguntou porquê a reverência para um ser inanimado como o rio. Era só chegar e se sentar, disse ele, pois o rio nunca nega nada a ninguém. Sorri para meu novo companheiro e passei a mão na água fria, levando um pouco dessa água até meu rosto, para sentir a energia do rio me recarregar.
Quando estamos correndo com a vida, esquecemos de perceber o quanto o mundo é belo e cheio de vida. E como a vida se movimenta em todos os seus aspectos e como todos dependem um do outro para viver. Somos como esse rio que está aqui, ele é nosso irmão, nosso filho e nosso pai. Ele estava aqui, cada uma dessas gotas, a incontáveis décadas atrás e, se depender dele, continuará aqui para nos alimentar, matar nossa sede, nos refrescar física e espiritualmente. Ele estará aqui para nos ensinar a viver, pois nele, encontramos nosso caminho.
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Dentro do terreiro foram só algumas horas. Naquele dia, acompanhando meu irmão, senti que as coisas aconteceram rápido demais, sublime demais, mal deu para perceber alguma coisa. Mas no fim, haviam cem anos.

As conquistas dentro desse episódeo foram muitas, absolutas, engrandeceroras. Muitos talvez não percebam, para alguns as situações devem ser expostas em colaro, sem entraves, senão passam despercebidas, mas em cem anos muito mudou no pensamento geral, muita coisa que não era nem cogitada passou a ser regra geral e muita regra caiu em desuso. Vejamos nós, por exemplo. Cem anos atrás não poderíamos nos comunicar assim, entre planos, sem sermos chamados de atrazados. Hoje vê-se que a simplicidade é, na verdade, o ponto final e não o começo.

Com isso não quero dizer simplicidade de pensamento, para se alcansar a síntese necessária, a síntese sábia, é preciso a união da experiência com a inteligencia, da sabedoria com a ciência. Já fomos escrachads, préconceituados de adoradores do demônio, como se o demônio fosse um ser criado por Deus para podermos culá-lo por nossos deslizes. Fomos chamads de leitos por quem estudava e se esquecia que a forma importa menos que a essência, mas isso foi necessário para mostra que a aparente ciência não explica o coração. Hoje começamos em uma era onde os dois tentam andar juntos, e sei que cem anos são pouco para se mudar uma marca profunda, mas ainda assim não desistimos.

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