Nossa História

Nossa História

De repente nos vimos estudando.

Às vezes chegamos em um ponto em que simplesmente prestar a caridade, chegar no centro, vestir branco e dar seu passe não é suficiente. Aprendemos sempre, e o passe é a forma mais prática de Umbanda, mas chega um momento em que começamos a sentir que só isso não basta. Algo se faz necessário.

Em meados de 2009, tivemos contato com o kardecismo através da Federação Espírita do Estado de São Paulo e lá nos recomendaram uma espécie de estudo, que chamavam de “Evangelho no lar”. Ao nosso modo, colocamos isso em prática. De uma forma diferente, começamos a nos reunir, primeiro dois, depois três pessoas para ler e discutir o Evangelho Segundo o Espiritismo. E aos poucos, essa reunião foi mudando seu caráter para algo completamente diferente.

Às discussões do Evangelho se reuniram conversas sobre as diversas formas de aplicação de energia. Sobre as diversas formas de se entender a energia. Cromoterapia, Reiki, Yoga… aprendemos sobre energia na ótica do Prana e suas divisões e começamos a traçar paralelos entre essas ideologias e a Umbanda. E no início de 2011, resolvemos nos soltar e partir para um voo solo.

Sempre sob a égide de nossos Guias, em especial nossa querida Vó Maria Rosa, mantivemos as reuniões de estudo. Às três pessoas mais duas se juntaram e, depois de um tempo, acabamos tendo a notícia de que não poderíamos mais nos reunir na residência de alguém para isso. Um local apropriado se fazia necessário para que ninguém se arriscasse demais com as demandas espirituais ou sofresse influência de espíritos que não fossem interessantes à nossa conversa. Muito suor foi desprendido, muitas batalhas superadas, e finalmente conseguimos encontrar um lugar que supriria nossas necessidades. Alugamos tal lugar e decidimos, por bem, com concordância de nossos Guias, abrir uma casa de caridade.

Claro que o caminho não foi feito de rosas. Muito se foi combatido, muito se foi discutido e muitos problemas foram superados. Mas é isso que se espera de um soldado de Oxalá: Coragem. Determinação. Perseverança e Amor.

Com a casa “aberta”, ainda muito foi feito. Precisávamos nos fortalecer na confiança de nós mesmos. Precisávamos lapidar nosso conhecimento, nosso instinto e para isso fomos colocados à prova em certas ocasiões. E hoje estamos aqui, superamos tais provas, nos oficializamos  e estamos prontos para mais provas!

Nesse período de descobertas, contamos com a ajuda de vários amigos. A mãe Cida foi uma delas, uma amiga que nos aconselhou, despendeu horas de papo para nos ajudar a por forma em nosso sonho. Álan Madureira, do CCCJ lá do Rio de Janeiro também foi uma peça fundamental, nos aconselhando sobre como proceder com os preparativos legais para tal empreitada. O Rafael, da Casa dos Filhos de São Miguel Arcanjo, também foi de fundamental importância, nos acolhendo, conversando, ajudando-nos a fortalecer nossa ideia de um centro, contando sua experiência e, com isso, deixando a nossa maior. Agradecemos também ao Paulo Ludogero e família que nos deu a confiança necessária para caminharmos com nossas próprias pernas. Ao Edson Codoense, à Sandra Santos (sem ela estaríamos ilegais literalmente) e tantas outras pessoas que agora nem vou me lembrar, e peço desculpas se seu nome não estiver na lista. Esses foram, claro, os encarnados envolvidos. Mas há também os desencarnados.

Tantos Guias estiveram conosco nesse percurso. Seja pedindo paciência, porque cada coisa tem sua hora e não adianta dar um passo antes de aprendermos a engatinhar, seja nos pondo para a frente, nos desafiando tanto em intelecto quanto em sentimento. Vários erros foram cometidos no caminho, mas sabíamos que erros existem para nos preparar para acertar. O caminho foi longo, fizemos muitas coisas antes de efetivamente concluirmos isso, estudamos muito, pensamos muito, discutimos muito, sempre amparados na vontade de prestar a caridade e no amor que depositamos em nosso Credo. Mas acima de tudo, na confiança de que estamos fazendo não a Umbanda de uma pessoa, mas a Umbanda do Cristo Jesus.

No meio disso tudo encontramos alguns entraves, claro. Sabemos que quando um ponto de luz em nome de Oxalá é aberto, as trevas tramam contra ele. Cada ponto é uma vitória da Luz sobre as Trevas, um novo exército que se forma no combate contra a ignorância, contra a mesquinhez, contra o individualismo. E sabemos que sofremos, sobretudo, pelo nosso próprio Credo dentro da Umbanda.

E então nasceu a Casa da Vó Maria Rosa e Povo do Oriente. Uma casa baseada na cumplicidade, na filosofia do aprendizado real e constante, não na falácia comumente vista e ouvida. Isso é o que nos faz caminhar em direção a Oxalá, ajudando o próximo não somente a superar uma dificuldade imediata, mas a se entender e encontrar a verdadeira força internamente, onde ela sempre esteve.

Obrigada a todos!

Ana Lídia Lima
Dirigente da Casa da Vó Maria Rosa e Povo do Oriente

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