Jornal de Umbanda Carismática

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Em teoria todo mundo sabe o que é um descarrego, tem pessoas que até gostam dele e ficam felizes quando passam por um no terreiro. Mas quem sabe como ele funciona, como pode ser feito e quais as implicações para o médium? E diferenciar um descarrego de um transporte, quem sabe? Pois é sobre isso que falaremos hoje. Vamos lá?

Bom, transporte é quando um médium desenvolvido e capacitado, por determinação do astral, incorpora uma Entidade Espiritual de outro médium, talvez um consulente, que por ainda não ser desenvolvido é incapaz de incorporar este espírito. Podemos dizer que um transporte é feito, por exemplo, quando um Guia Espiritual precisa dar algum recado ao seu médium como a solicitação de uma oferenda; ou quando há a necessidade de um Guia se apresentar para aquele ainda imaturo médium fazendo-se assim mais presente na vida espiritual deste que cheio de duvidas dificulta seu desenvolvimento; ou ainda quando o Guia daquele médium ainda não desenvolvido precisa de ectoplasma, que é a energia vital presente só em seres encarnados, para se energizar ou curar seu corpo astral de ferimentos decorridos de ataques astrais negativos.

descarrego é quando a incorporação tem o intuito de limpeza espiritual ou descarga energética. Pode ocorrer de diferentes modos através da incorporação de Exus ou de espíritos negativos. No caso em que o descarrego é feito com a incorporação de um Exu, o médium pode incorporar seu próprio Exu de trabalho para fazer limpeza de energias negativas, para vitalizar o consulente ou para fazer negociações com outros Exus; o médium pode também incorporar o Exu do consulente, normalmente médium em desenvolvimento, para que ele possa fazer a defesa do seu médium, se fortalecer ou pedir uma oferenda para ter instrumentos e elementos de negociação; pode ainda acontecer do médium incorporar um Exu Cósmico ativado pela Lei que, por processo negativo do próprio mental do consulente, é atraído para cumprir sua função paralizadora, desvitalizando ou punindo aquele consulente diante da Lei e da Justiça Divina. Neste caso é a atuação da Lei, quando for permitido e só quando o consulente evoluir espiritualmente, que definirá quando essa atuação se encerra.

No caso em que o descarrego é feito com a incorporação de Espíritos negativos que acompanham o consulente pode acontecer do médium incorporar espíritos sofredores, espíritos doentes e com grande sofrimento, que nos trazem dor, angustia e desanimo; Eguns que são espíritos perdidos no tempo e que por afinidade, simbiose ou ação obsessiva nos negativam; ou Quiumbas, espíritos com maior poder mental negativo que por pagamento de “magias negras” ou por desejo de destruição de um médium ou de um centro atacam de forma poderosa e negativa.

Em todos esses casos o trabalho de descarrego só acontece por permissão da Lei e é a partir de um trabalho religioso, de médiuns preparados onde o único intuito é a caridade, que se tem a grande oportunidade de encaminhamento destes irmãos que necessitam de nossa ajuda para um redirecionamento evolutivo espiritual.

Mas como cuidado é sempre bem vindo, para que se realize um bom trabalho de transporte ou descarrego algumas regras devem ser cumpridas:

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Acredito que hoje a incorporação com inconsciência ou semiconsciência é algo que se conquista com o tempo e, também, que todos têm a possibilidade de atingir este nível de mediunidade. Claro que a consciência, assim como a semiconsciência, são oportunidades únicas e divinas que temos para aprender o que é compaixão e para exercer a nossa real reforma íntima. No entanto a inconsciência parece ser o “sonho de consumo” para muitos médiuns e para eles nada melhor do que o tempo.  Mas por que o tempo? Porque com o tempo aprendemos a entender o plano astral e a confiar na Espiritualidade e nos Guias Espirituais que nos sustentam mas, principalmente, aprendemos a amar. Entender o plano astral é fundamental e quando isso não acontece bloqueamos as informações do próprio astral. O fato é que se não conhecemos, por exemplo, as ações maléficas de um egum não as reconheceremos a nível energético ou espiritual e, com certeza, as ações do Guia, assim como a comunicação dele conosco, será muito difícil e duvidosa pois a insegurança e o medo serão alimentados pela nossa falta de conhecimento.

Também é fundamental confiar nos Guias Espirituais e para isso é importante conhecê-los. É importante saber quais são suas afinidades com as ervas ou com as pedras, seus pontos de força, suas vestimentas, suas armas e seus símbolos astrais. Conhecer suas formas de trabalho como, por exemplo, se são curadores, demandadores ou doutrinadores, assim como saber se a nossa ligação com este Guia é cármica, missionária, temporária (com a finalidade de aprendizado para ambos) ou se Ele é nosso protetor. E por aí vai! São informações simples mas que fazem toda a diferença pois servem para que se criem laços “de baixo para cima”, afinal os laços de cima para baixo já existem, além de facilitar muito todo o trabalho espiritual e a própria incorporação.

A partir daí o medo e a insegurança começam a diminuir e, com certeza, as coisas ficam muito mais simples. Uma frase que sempre digo é que “não se pode amar aquilo que não se conhece” e a Umbanda, assim como os queridos Guias Espirituais, necessitam de nosso amor. Um amor de alma, que se manifesta na hora de alegria mas, principalmente, na hora da dor. Quando falamos em amar falamos em não julgar. Aí está a verdadeira manifestação do ser como “instrumento”, manifestação essa tão solicitada pelos Guias Espirituais e que muitas vezes somos testados pelo próprio plano astral. Um bom exemplo disso é quando ouvimos dos consulentes erros idênticos àqueles que convivemos ou combatemos em nosso dia a dia junto à nossa família, nossos amigos ou conosco mesmo. Nesse momento somente um verdadeiro instrumento de Deus. ou seja, um médium confiante na espiritualidade e com amor incondicional para realizar uma boa consulta junto com o Guia, sem julgar ou interferir.

Claro que podemos acelerar esse tempo e para isso temos duas necessidades: Primeiro a de estudar a doutrina Umbandista e segundo a de exercitar aquilo que conscientemente ouvimos dos Guias Espirituais de Luz. Necessidades essas que, na verdade, representam todo um processo de Fé, Amor, Compaixão e Caridade e que devem ser exercitadas por todos os Umbandistas incondicionalmente. Aos que galgam a inconsciência para terem Fé, para se esconderem atrás dela se isentando de suas responsabilidades ou para fazerem dela suas muletas de ego e vaidade, saibam que é muito mais honroso a realização de um bom trabalho no limite da consciência ou semiconsciência do que uma manifestação grandiosa mas inconsciente.

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Dentro das várias ritualísticas que se desenvolvem nos terreiros de Umbanda é comum  vermos, principalmente no início e término dos trabalhos espirituais, o corpo mediúnico com os joelhos no chão. Alguns veem esta postura como arcaica e sem sentido, porém, nunca se deram ao trabalho de analisarem detidamente tal comportamento.

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É de conhecimento geral que as primeiras religiões do globo terrestre já inseriam a genuflexão em seus rituais como exteriorização de respeito junto ao Criador e também manifestação de humildade que todos devem ter , seja para com o Divino, seja para com o próximo. Da mesma forma, o ato de postar-se faz ver aos fieis que assistem uma manifestação de religiosidade a seriedade, o respeito e a simplicidade do sacerdote e dos médiuns frente ao plano espiritual superior. A implantação do ajoelhar-se tem como finalidade mostrar a Deus e à Espiritualidade todo o nosso carinho, obediência, respeito e amor, além do quanto somos pequeninos diante do universo criado por Ele. Também serve para passar à assistência que aquele espaço de caridade tem a exata noção do papel que desempenha como instrumento de trabalho dos bons espíritos.

Infelizmente, é do conhecimento de todos que ao lado de criaturas humildes, simples, meigas e caridosas que estão sempre dispostas a dar seu suor à Umbanda existem outras tantas orgulhosas, vaidosas e “auto suficientes” que procuram a todo custo imporem-se aos demais, maximizando suas “qualidades” e minimizando as virtudes alheias. Ostentam falsas conquistas querendo submeter todos aos seus caprichos. Contudo nada mais doloroso e incomodo para essas pessoas do que ficar em posição de subserviência e aparente inferioridade. Tal postura lhes sangra a alma e lhes oprime o pétreo coração. Suas visões ofuscadas não conseguem enxergar que tal rito é para o seu próprio bem, para sua própria libertação dos sentimentos mesquinhos e posterior elevação espiritual, pois auxilia na quebra da vaidade e da soberba.

Alguns até podem dizer que ao postar-se de joelhos o médium pode ter em mente pensamentos diametralmente opostos àquela posição. Mas aí, meus irmãos, é que se inicia o processo de assepsia e lapidação dos arrogantes e vaidosos, levados a efeito pelos amigos de Aruanda que, assim, dão luz a estas pessoas reconduzindo-as ao rebanho Divino. Joelhos ao chão sim !!

Mãe Mônica Caraccio

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Vamos hoje falar um pouquinho sobre um ritual básico que é vital para a Umbanda: os banhos de ervas. Muitas pessoas têm duvidas sobre como preparar os banhos, se eles devem ser jogados na cabeça, que ervas podem ser utilizadas, se toda erva tem o mesmo efeito, e por aí vai. Vale lembrar que este é um assunto muito vasto e que cada caso é um caso, mas em geral podemos seguir algumas regrinhas e recomendações básicas. Vamos lá:

Os banhos de ervas são, de uma maneira geral, rituais onde utilizamos elementos da natureza com o intuito de que haja uma troca energética entre o indivíduo e esses elementos naturais utilizados. Os banhos de ervas servem principalmente para limpar as energias negativas, afastar influências negativas, reequilibrar, aumentar a capacidade receptiva do aparelho mediúnico e desobstrução dos chacras. Não somente os médiuns ativos na Umbanda devem tomar banhos de ervas, mas todos em geral podem e devem se beneficiar deste poder natural.

Os banhos de ervas secas devem ser preparados por infusão, ou seja, essas ervas devem ser colocadas em uma vasilha com água fervente que será tampada e permanecerá assim por pelo menos 15 minutos. Lembrando que ervas secas não devem ser fervidas e que precisam ser ativadas antes de serem utilizadas. A ativação de ervas secas se faz amassando-as e apertando-as um pouquinho entre as mãos. Os banhos de ervas frescas devem ser preparados por maceração, ou seja, as ervas frescas devem ser colocadas em um recipiente com água e maceradas por alguns minutos. Caules, raízes mais grossas e talos duros (como as espadas) devem ser fervidos por um período médio de 30 minutos. Os banhos de ervas devem ser tomados depois do banho higiênico, podem ser coados e devem ser preparados sempre com um número ímpar de ervas. Para potencializar o poder energético dos banhos podemos utilizar águas naturais como água de chuva, de cachoeira, de rio ou de mar.

Existem algumas categorias de banhos:

* Banho de Descarrego: Serve para livrar o indivíduo de cargas energéticas negativas. Estamos o tempo todo em contato com diversas pessoas e ambientes onde o mal e as energias negativas são abundantes. Por mais que nos vigiemos ora ou outra baixamos nosso nível vibratório e imediatamente estamos entrando nessa egrégora de energia negativa. Se não nos cuidarmos vamos adquirindo doenças, distúrbios e podemos até ser obsediados, por isso o banho de descarrego é fundamental. Há dois tipos de banho de descarrego: o banho de sal grosso, que lava toda a aura desmagnetizando a pessoa (Este banho é muito eficiente para descarrego, porém não deve ser jogado na cabeça e após este banho deve se tomar imediatamente um banho de ervas para equilibrar as energias, uma vez que ele realmente é capaz de tirar toda a energia da aura) e o banho de ervas de descarrego, que tem efeito mais duradouro e consequências maiores que o banho de sal grosso pois algumas ervas são naturalmente descarregadoras e sacodem energeticamente a aura de uma pessoa eliminando grande parte das larvas astrais e miasmas. Para preparar este tipo de banho devemos utilizar ervas quentes como arruda, guiné, aroeira, folhas de fumo, entre outras.

* Banho de Defesa: Serve para a manutenção energética dos chacras impedindo que eles se impregnem de energias nocivas em determinados rituais como, por exemplo, em oferendas em campo de força ou quando vamos conhecer um novo terreiro. As ervas utilizadas para preparar este tipo de banho são aquelas relacionadas ao Orixá regente da pessoa ou aquelas que uma entidade receitar.

* Banho de Energização: Reativa os centros energéticos e refaz o teor positivo da aura. É um banho que devemos utilizar regularmente e que devemos tomar antes ou até mesmo depois de uma gira espiritual. Para o preparo deste tipo de banho devem ser utilizadas ervas mornas como pétalas de rosas brancas ou amarelas, alecrim, alfazema, levante,  entre muitas.

* Banho de Fixação: É utilizado para trabalhos ritualísticos e deve ser tomado apenas por médiuns que irão realizar um trabalho aprofundado e entrar em contato com entidades elevadas. Este banho abre todos os chacras aguçando a percepção mediúnica e as ervas utilizadas nele devem ser as indicadas pelo chefe de terreiro ou pela entidade.

Além deste há também os banhos específicos que são preparados com ervas frias e trabalham em um determinado campo de energias como, por exemplo, os banhos atratores que podem ser preparados com malva, canela ou rosas vermelhas; os banhos energéticos que podem ser feitos com girassol, guaraná ou emburana; os banhos calmantes que podem ser preparados com capim cidreira, melissa ou erva de São João; entre outros.

Espero que aproveitem!

Muito Axé

Mãe Mônica Caraccio

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Paz de Espírito não tem preço, não tem tempo e não tem dono. A Umbanda não é milagre, não se vende e é função do Sacerdote de Umbanda esclarecer e principalmente combater quem cultiva esses princípios.

Podemos começar esclarecendo que alguns sacerdotes estimulam nos consulentes a prática do ‘milagre’. Precisamos incutir aos consulentes a noção da Religiosidade na Umbanda. Que ele venha participar de nossa assistência por gostar, por comungar, por se sentir bem dentro daquela energia, que venha até nossa casa “somente” para cantar, tomar um passe e recarregar as baterias, sem pedir nada e sem necessidades específicas. Abrir os trabalhos em dias e horários irregulares estimula os consulentes a procurarem outros locais por mera curiosidade. Caso o Terreiro, por suas razões, esteja impossibilitado de abrir semanalmente a Gira para a caridade então que o Sacerdote realize cultos, doutrinações, orações e não a consulta propriamente dita onde induz, e pior, acostuma o consulente a só pedir.

Devemos COMBATER frases ditas por sacerdotes como “é só pedir, pedir com coração que Exu dá”, “a Umbanda tem que cobrar sim, é um trabalho e trabalho se cobra, a frase ‘dai de graça o que de graça recebestes’ quer dizer que a inteligência é o que recebemos de graça mas o trabalho deve ser cobrado”, “ consulta espiritual com hora marcada é normal dentro da Umbanda e é ainda muito mais eficaz”, e muitos outros absurdos que estão sendo ditos e até praticados por formadores de opiniões e de religião, atos estes extremamente errados que são contra a Lei de Deus e contra a Lei da Umbanda.

Sacerdotes de Umbanda, sejam, acima de tudo, bons e honestos com os Orixás, com vocês e com os médiuns que vêm lhes pedir ajuda. Não mintam, não enganem, não prometam coisas que a Umbanda não pode oferecer. Cuidem de seus médiuns como seus filhos espirituais, ampare-os, oriente-os, trate-os espiritualmente, é seu dever e sua missão. Ame a Umbanda e não o Poder ou Você. Cuidado com a vaidade e com o ego. Cuidado com as bajulações que fazem a você e principalmente com as bajulações que você faz ao Poder. Saiba: a Umbanda não está à venda e não aceita oportunistas e vigaristas.

Sacerdote de Umbanda, será que você tem Paz de Espírito?

Que benção é Ser Umbanda de corpo, alma e mente,
Que benção é Ser Umbanda e me colocar perante o Caboclo como o Dono de minha Vida.
Que benção é Ser Umbanda no passado, no presente e no futuro.
Que benção é Ser Umbanda comungando, amando e se reverenciando com as Forças Divinas.
Que benção é poder dar sem receber.
Amar sem cobrar.
Fazer sem reclamar.
Ser e não estar.
Que benção é Ser Umbanda,
Que benção é Ser Sacerdote,
Que benção é Ter Paz de espírito,
Que benção é Ter a missão cumprida.
Que Oxalá me abençoe e me ampare na sua Fé,
Que Ogum me guarde e me conduza na sua Lei,
Que Oxossi me dê à sustentação mental e Oxum a emocional,
Que Exu segure a minha porteira com vigor e Lei,
Que Olorum olhe pela minha querida Umbanda hoje e sempre. Salve a Umbanda.

Axé a todos e um ótimo final de semana !

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Esse é um ponto que merece bastante atenção e um esclarecimento maior mas, na gigantesca maioria das vezes, observamos que esse medo é reflexo da falta de conhecimento sobre o que é a mediunidade e como tratá-la. O primeiro ponto a ser esclarecido é de que a mediunidade não é escravidão, mas uma grande oportunidade de evoluir espiritualmente, visto que, não somos matéria mas sim espíritos em experiências no Plano Material. Outro ponto importante a esclarecer  é que aquelas frases que todo mundo escuta, como: “é um caminho sem volta” ou “nunca mais poderá sair dessa vida” até têm um certo sentido, mas estão sendo mal interpretadas. Pense comigo: ser médium não é uma escolha atual ou uma determinação externa, mas uma opção e essa opção foi sua em algum momento do passado, por isso, a mediunidade não surge de repente só porque você está frequentando um Terreiro ou um Centro. Você optou por ser  um intermediário entre o plano espiritual e material, você foi, você é e você sempre será médium perante os Planos Espirituais Superior e Inferior, por isso, a mediunidade é sim o seu caminho e, querendo ou não, é sem volta pois não tem como apagar a sua Luz Interior, a Luz da mediunidade que você tanto desejou, pediu e se esforçou para conquistar.

Então, olhe para o Alto, olhe para si e agradeça por ser eternamente Luz, pois é a sua conquista, é o seu dom dado por Deus. Saiba que essa Luz ninguém lhe tira e ninguém apaga, portanto, assuma-a e deixe-a refletir com orgulho, alegria e toda a sua gratidão a Deus, afinal, é muito bom ser um instrumento Dele. Saliento que a mediunidade só é uma escravidão ou punição quando não há conhecimento sobre o quê, como, quando e de que forma ser médium. Quando não se sabe ‘abrir e fechar’ a mediunidade, quando não se tem todas as Forças Espirituais Superiores e Inferiores alinhadas, ordenadas e equilibradas, ou ainda, quando se perde o amparo e a proteção do Plano Superior Divino.

Fico impressionada com a quantidade de médiuns que se recusam a desenvolver a sua mediunidade por medo, e aí esclareço que só através de um bom desenvolvimento é que se adquire atributos como equilíbrio, ordenação e amparo. Observo que muitas pessoas têm medo de incorporar e acreditam que isso é algo do outro mundo, mas mal sabem que muitas vezes estão incorporando em suas próprias casas ou em qualquer local sem nenhum cuidado ou conhecimento. Isso acontece naquela hora da briga onde se perde o controle sobre os atos e sobre as palavras, acontece naquele momento em que se fala o que não se pensa ou quando se faz aquilo que não se quer, e aí vem a culpa, a sensação de “como pude fazer isso?” e o arrependimento. Vejam, nesses momentos pode ter havido uma irradiação, uma influência e até mesmo uma incorporação do baixo astral, de espíritos zombeteiros ou vingativos que se aproveitam do desequilíbrio e da negatividade do médium e fazem a festa. Acreditem: isso é muito comum de acontecer, só que ninguém tem medo, talvez por não saberem que uma incorporação pode acontecer de forma tão sutil, só dependendo da afinidade que o ser tem em relação ao espírito desencarnado. O pior é que isso pode acontecer a qualquer momento e em qualquer local, basta não ter domínio sobre a mediunidade e sobre si próprio.

Se todo esse medo da mediunidade acontece por falta de explicação ou conhecimento, então saiba que tudo é muito simples e se você se ajudar com um pouco de boa vontade e dedicação aos estudos umbandistas, tudo fica ainda melhor. Acredite, é muito melhor ter esse Dom equilibrado do que viver perturbado e sem prosperidade na vida, pois a espiritualidade traz sim a prosperidade, talvez não essa prosperidade financeira em que a maioria pensa, mas a prosperidade de alma, e essa não se compra em lugar algum, somente se conquista. E se mesmo assim você ainda acha que a mediunidade é uma escravidão, eu digo para você: “Prefiro ser escrava de Deus e dos queridos Guias Espirituais do que ser escrava da doença, da miséria, do chefe, do vício, do marido, do dinheiro, da mãe ou do que quer que seja.

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Começou no dia primeiro deste mês a coleta de dados para o Censo 2010. Muitos não entendem qual a importância do Censo e veem esta coleta de dados como algo chato, demorado, que vai tomar tempo e que não tem muita importância portanto pode ser respondido de qualquer jeito. Pois saibam que é totalmente o contrário! A coleta pode até tomar um pouco do nosso tempo, mas devemos lembrar que é através das respostas da população ao Censo, que os governos, empresas e acadêmicos irão planejar seus estudos e ações para projetar o futuro. É a partir da estatística levantada através deste Censo que nosso governo tomará decisões em relação à saúde, educação, transporte, habitação para os próximos 10 anos.

Para facilitar a vida daqueles que não têm muito tempo, este ano o questionário do Censo poderá ser respondido até pela internet. Esta opção poderá ser solicitada no momento da visita do recenseador que entregará uma carta lacrada contendo as instruções para acessar o questionário num site específico, incluindo um código de acesso, que é único para cada domicílio, e as senhas de segurança.

É importantíssimo que o questionário seja respondido de forma totalmente verdadeira, sem aumentar, diminuir ou ter medo de que os dados fornecidos possam, de alguma forma, gerar reações negativas para aquela família ou aquela pessoa. Muitos ainda acreditam que sofrerão algum tipo de discriminação se,  ao responderem o questionário do Censo, declararem sua verdadeira religião. O que essas pessoas não sabem é que todas as respostas fornecidas ao Censo são absolutamente confidenciais e serão utilizadas somente para compor o estudo e as estatísticas do nosso país.

O importante é que neste Censo haverá um grande esforço para conhecer as religiões ou cultos seguidos pela sociedade e saber como eles se distribuem no território nacional. Para Luiz Antônio Pinto de Oliveira, coordenador de População e Indicadores Sociais do IBGE, a religião é uma importante referência cultural por se tratar de uma crença que é professada por milhões de pessoas: “historicamente é um assunto importante na vida cultural, familiar e espiritual de um povo”. Segundo ele, saber qual religião determinado grupo segue é uma forma de avaliar como esse mesmo grupo enxerga o mundo e qual estilo de vida adota.

Por isso mesmo o questionário do Censo foi modificado e, sobre o tema religião, o entrevistado responderá a uma única pergunta aberta: “Qual a sua religião ou culto?”. Não há mais alternativas para serem escolhidas e todos deverão responder a essa pergunta verbalizando o nome de sua religião ou culto. O recenseador vai anotar exatamente a denominação religiosa citada pelo entrevistado.

Isso é muito bom e é a nossa chance de incluir a Umbanda nas estatísticas e nos projetos deste país.

É a nossa chance de mostrarmos o quanto somos fortes, o quanto somos grandes e quanto orgulho sentimos por sermos umbandistas.

Não podemos perder essa oportunidade de mostrar nossa cara, nossa presença e nossa postura como religiosos que amam sua religião, a Umbanda.

Vamos fazer diferente e fazer a diferença dessa vez!

Quando perguntarem qual sua religião, responda:

SOU UMBANDISTA!

Aproveitem esta matéria, esta energia e levem a ideia para os seus terreiros. Falem com os irmãos, pais, filhos espirituais e com a assistência de suas casas, que também busca conforto, paz, e alívio para as dores na Umbanda, recebendo dela tantas bençãos. Unidos e convictos de nossas responsabilidades faremos uma Umbanda forte,  presente e bem vista pela sociedade.

Axé e uma semana de muito amor à Umbanda para todos !!

Mãe Mônica Caraccio

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ArteFolk recomenda: JUCA

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Vamos hoje falar um pouquinho sobre este elemento fundamental nos rituais umbandistas: as velas. Por que acendemos velas? O que elas representam e como atuam? Acho que muitas pessoas já se fizeram estas perguntas e outras nunca pensaram sobre o assunto. Como estamos buscando mais conhecimento e menos ações automáticas, acredito que este seja um assunto bem relevante. Então vamos lá!

A vela significa luz, atua no éter de quem recebe suas irradiações ígneas e é um simples, mas poderoso instrumento. Tal como o incenso, uma vela acesa altera o estado energético de um ambiente ou de uma pessoa. Quando está acesa, durante o dia ou noite, além de enviar nossas intensões como luz que toca outra luz em vário níveis, ela se torna uma energia contínua de nossas orações, ela se torna a vigília de nossos pensamentos, pois sempre que passarmos por ela seu brilho chamará nossa consciência de volta para o propósito de nossa solicitação ou pensamento e a sua luz atuará como um laser para concentrar a energia de nossas intenções. Portanto ela ativa nossa fé nos mantendo em sintonia com o Plano Astral Superior e é fato que uma vela acesa positivamente atrai os bons espíritos para perto. Na realização de uma oferenda as velas acesas ativam e potencializam nossas intenções.

É importante saber também que uma simples vela consiste na união dos quatro elementos. O elemento terra, ou energia telúrica, é representado pela parafina que vem do petróleo, das profundezas do planeta; o elemento ar, com a energia eólica, é representado pela fumaça que a vela exala, ainda que tênue; o elemento fogo, ou energia ígnea, é representado pela chama da vela e, finalmente, o elemento água, e a energia mineral, é representado pela combustão dos materiais da vela onde se desprendem moléculas de hidrogênio que se combinam com o oxigênio e formam a molécula de água no estado gasoso.

Além de todas essas vibrações, energias e elementos temos também a questão da pigmentação da vela onde a cor, com base na cromoterapia, mexe com nossas vibrações mental e energética. Por exemplo: a vela branca, que representa a união de todas as cores, é purificadora, traz a sensação de limpeza, claridade e estimula a criatividade; a vela amarela simboliza a alegria de viver e o alto astral; a vela cor de rosa abre o coração e estimula todas as formas de inspiração e amor, traz conforto e aconchego à alma; a vela vermelha simboliza o dinamismo, a força e a coragem e é uma boa pedida para quem está deprimido ou sem ânimo para nada; a vela azul clara traz paz e tranquilidade, estimula o crescimento pessoal e melhora o auto controle; a vela verde representa a esperança e a abundância, estimula momentos de paz e cura, traz tranquilidade e acaba com as tensões.

Espero que vocês tenham conseguido entender um pouquinho deste importante fundamento umbandista, mas como conhecimento nunca é demais, saliento que este é um assunto legal para se estudar mais afundo e detalhadamente.

Mãe Mônica Caraccio

www.minhaumbanda.com.br

editorial-juca

Fico sempre muito feliz ao término de mais um JUCA, de mais um grupo de estudo, de mais uma gira ou mesmo depois de mais uma oportunidade de falar ou manifestar a Umbanda com todo seu valor e sentido religioso.

Claro que a sensação de que ainda é pouco percorre todos os meus sentidos, o que, graças a Ogum, me inspira a novos desafios e ações.

Imagino que para muitos parece estranho esse meu caminhar um tanto ideológico, ativo e determinado, mas são tantas necessidades, são tantos espíritos em sofrimento profundo, são tantas almas carentes e sedentas de informações, respostas, cuidados, carinho, atenção e orientação… É tanta falta de amor envolvendo as pessoas e a religião que, dentro de meu raciocínio lógico, PARAR, NEGAR ou mesmo LIMITAR o agir do meu espírito seria a maior agressão que eu poderia proporcionar a mim e, principalmente, ao próximo.

São muitas pessoas que, talvez por falta de conhecimento, de estudo ou de cuidados, se encontram perdidas dentro de seus Terreiros, desistindo do seu desenvolver mediúnico ou da Umbanda, passando por situações constrangedoras e dolorosas, e ficar isenta nessas situações, de braços cruzados, só pensando e adiando uma atitude é ser, no mínimo, conivente ou mesmo covarde.

Entendo perfeitamente a necessidade do Agir, do Saber e do Bom Senso. Entendo o sentido da mediunidade e de todas suas possibilidades. Entendo e sei os deveres e obrigações que comprometem todos os médiuns.

Sei que tenho capacidade, assim como todos os médiuns têm. Sei que posso ajudar, assim como todos os médiuns podem. Sei que sou um canal, assim como todos os médiuns são… portanto, sei das minhas obrigações como médium, como espírito, como ser humano, como religiosa e como imagem e semelhança de Deus.

No entanto a pergunta é: O que estamos fazendo com nossas capacidades e possibilidades? Ou melhor, o que estamos fazendo com o que temos, podemos e somos?

Entendo claramente que negar essas ações é o que propicia as piores dores e os maiores desequilíbrios em qualquer médium, afinal, é agredir o próprio espírito e toda sua capacidade. É uma prisão sem janelas, é se sentir sufocado, é a incapacidade e impossibilidade de enxergar a luz, sem saber se é dia ou noite, sem ter a oportunidade de falar, de se comunicar, de escolher… Aliás, quantas pessoas não estão se sentido assim agora?  Talvez milhares.

Portanto, não dá para Parar, não dá para Negar ou Limitar. Sou um grão de areia em um grande oceano mas sei que sou espírito e meu espírito tem que agir em sua plenitude.

Não dá para Parar, Negar ou Limitar meu trabalho religioso, meu estudo religioso, meu falar religioso e minha ação religiosa, pois sou a manifestação, a materialização e a representação do Divino, e isso quer dizer que:

Falo e falarei de Umbanda;

Faço e farei pela Umbanda;

Estudo e estudarei a Umbanda;

Pratico e praticarei a Umbanda;

Luto e lutarei pela Umbanda;

Amo e amarei a Umbanda.

Mesmo porque, Ela sou Eu e Eu sou Ela, por isso vivo em paz, com minha consciência tranquila, com muito trabalho e com muita alegria, com muitos desafios e muitas conquistas, fazendo diferente e a diferença.

E você, vai desistir de conquistar a sua plenitude? Vai deixar para depois?

Mãe Mônica Caraccio

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A-205.6
o-universalismo-e-possivel

Muito se fala sobre o UNIVERSALISMO ESPIRITUAL e falam como sendo algo utópico, algo muito além e muito distante de nossa realidade. Mas será que o Universalismo Espiritual está tão distante assim? Para responder a isso precisamos primeiro saber o que é universalismo, então vamos lá! Universalismo: relativo à universal que pertence a todo o universo, ao cosmos; que se estende a tudo ou por toda a parte; comum a todos os homens; que é aplicável a tudo; que advém de todos; que não se atem a uma especialidade; que abrange por inteiro um campo de conhecimento; que universalismo é adaptável ou ajustável de modo que possa atender a diferentes necessidades; ecumênico. E agora, o Universalismo Espiritual está distante de nós? É claro que não! E, na minha opinião, ele é a essência da Umbanda.

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A Umbanda é uma religião Universalista, onde não se admite racismo, preconceito ou intolerância religiosa. Ela está, assim como a própria representação de Oxalá, de braços abertos recebendo, agregando e amparando todo e qualquer espírito que queira evoluir e manifestar a Força de Deus. Na Umbanda manifestam-se espíritos vindos de todas as outras religiões e regiões do planeta: são hindus, árabes, judeus, budistas, cristãos, índios brasileiros, negros africanos e até grandes magos ou sacerdotes. Esses espíritos dotam-se de nomes simbólicos e são identificados perante as qualidades dos Orixás. Assim, vemos hoje na Umbanda, por exemplo, um antigo e sábio hindu se manifestando como um Caboclo, ou um renomado doutor se manifestando como um Preto-velho, ou ainda um grande mago ou sacerdote se manifestando como Exu, sem preconceito algum, apenas trabalhando e manifestando as qualidades e atributos específicos da Divindade Suprema – Deus – transcendendo todas as religiões espalhadas no plano material e sustentando a evolução de toda a humanidade de forma única e universalista.

A Umbanda surge aberta a toda e qualquer entidade que queira ou precise se manifestar, independente daquilo o que tenha sido em vida “todos serão ouvidos e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos os que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não”. Estas são palavras do espírito que se apresentou como Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas, fundador da Umbanda no plano material ao oficializar, em 1908, o primeiro centro umbandista, a Tenda Nossa Senhora da Piedade. E ele continua: “pois da mesma forma que Maria amparou nos braços o seu filho querido, também serão amparados os que socorrerem a Umbanda”.

A Umbanda é uma religião Espírita, pois como define Alan Kardec, no Livro dos Médiuns: “Espírita, é aquele que crê no espírito e nas suas manifestações”. Ou seja, todo aquele que acredita na manifestação de espíritos, segundo o próprio Kardec, é espírita! A Umbanda também é uma religião Cristã, pois a Umbanda acredita e aceita a existência de Jesus Cristo como o maior médium que já existiu, seguindo seus ensinamentos e seu mandamento maior: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a um irmão, não fazendo a esse irmão aquilo que não queremos que façam conosco”. A Umbanda nasceu em meio aos Cultos de Nação e ao Candomblé, mas cultua Orixá de forma diferente. No Candomblé os Orixás têm aspectos humanos, são relacionados a lendas e cultuados com grandes festas, com muita dança, canções e comida. Na Umbanda é uma heresia comparar Orixás a seres humanos tornando-os ruins e punitivos, justificando, assim, erros e desequilíbrios próprios do homem. Na Umbanda, Orixás são manifestadores dos Mistérios de Deus e em suas incorporações realizam todo um trabalho Divino em auxilio à comunidade. Resumindo, no Candomblé se cultua os Orixás e na Umbanda se “trabalha” com os Orixás.

Jêjes, nagôs, ketos, minas, bantos, indígenas, católicos, espíritas e muitos outros povos e religiões contribuíram com a Umbanda, não importando se creem em Orixás, Voduns, Nkisis, Pajés, Santos etc.

Na Umbanda Espíritos de Luz não são eguns e não se apresentam como mentores ou doutores, mas sim como Guias Espirituais. Exus não são escravos, não trabalham fora da Lei Divina e obedecem a uma única ordem: a dos Sagrados Orixás, são espíritos de tanta luz e de tanta sabedoria quanto os Pretos Velhos ou Caboclos. Na Umbanda não se utiliza do sacrifício de animais e não é através do jogo de búzios que conseguimos respostas e conselhos espirituais. O Ritual da Umbanda é simples e até impressiona como se é realizado. A onipresença dos Sagrados Orixás é percebida por todos da corrente mediúnica e através dessa presença, do amor, da caridade, da bondade, da fraternidade, da dedicação, da disciplina e do estudo é que TUDO se realiza, atributos esses necessários a todos que queiram sentir e se beneficiar dessa Onipresença Divina.

Uma Umbanda esclarecida e estudada em conceitos universais é a união de todas as correntes astrais e de todas as linhas de pensamentos que têm norteado a humanidade e harmonizado todas as religiões. O médium que não entende a Religião de Umbanda como a mais ecumênica das religiões e que não respeita todas as outras religiões, não é um verdadeiro médium de Umbanda. Uma Umbanda esclarecida e estudada em conceitos universais é a melhor garantia de que um “papa” não criará seu trono particular dentro da Umbanda e que não ditará dogmas que assegurarão o domínio da fé e da mente de muitas pessoas.

A Umbanda é única, é o micro realizando o macro.

Axé a todos que conseguem trabalhar e aceitar a Umbanda sem distinção espiritual e como uma religião eclética e Divina.

Mãe Mônica Caraccio

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