Álan Madureira

Álan Madureira

Criado na Umbanda, e nesta iniciado,realizei todas as etapas do desenvolvimento mediúnico, pude conhecer nesta trajetória minhas Entidades e Orixás, já na adolescencia conheci o Candomblé Angola Tunba Jussara, onde desenvolvi e aprendi muito acerca da cultura dos Inkises, e também sobre o Oráculo de Ifá. Tornei-me Ebomi, e pude ter a permissão para prestar minha missão como Táta di Inkise, porém as águas mudaram e fui para o Espiritismo Kardecista e em 1999 recebi por intermédio de uma psicografia a determinação para abertura de uma Casa de Caridade, e assim foi feito e desde 2006 a CCCJ, está sendo um sucesso na vida dos que dela necessitam, e a mim, somente cabe presidí-la para dar o bom andamento dos trabalhos lá desenvolvidos. Conheça-nos.

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A Umbanda tem por hábito constante firmar as suas tronqueiras, porteiras e giras.

Os rituais para a segurança do terreiro se operam em diferentes formas e sempre com a finalidade de se ver a gira transcorrendo formosa e em plena ordem, e aqui discorro sobre uma destas formas de proteção que é o Encruzamento do Terreiro de Umbanda.

Ressalvo que este é o meu humilde entendimento baseado nos ensinamentos por mim aprendidos nestes vastos anos que sou adepto do culto, não pretendo escrever aqui verdades absolutas, eis que a mim só cabe difundir e hastear a bandeira da Umbanda e seus fundamentos rituais.

Inicialmente cabe o preparo da pemba para Encruzar Terreiro, sendo certo que devem os pais no santo, preferencialmente no período de final de ano, preparar o referido pó de pemba (atim) destinando o mesmo tão e somente para a este fim.

A imantação do Terreiro com este pó tem por objetivo propiciar emanações energéticas de proteção contra obsessores e zombeteiros que porventura venham a interferir ou prejudicar o bom andamento dos trabalhos espirituais realizados naquela Casa, bem como, ao se encruzar podemos notar a irradiação positiva fluindo nos quatro cantos do ambiente preparado.

Qual de nós nunca viu uma entidade virar-se para determinado canto do Terreiro e irradiar com as mãos energias? Isso ocorre porque a Entidade está se reestruturando, captando estas energias positivas ali imantadas. Outro fundamento importante é que cada canto do terreiro representa uma força elemental, terra, fogo, ar e água, sendo certo que a ordem será comentada em texto propício, bem como os demais fundamentos que permeiam estes pólos energéticos.

Descreverei aqui este processo de imantação do pó da pemba que se resume em com o congá firmado, ralar-se a pemba com ambas as mãos atraindo as vibrações da linha de Oxalá, Xango, Ogum, Oxossi, Ibeji, Almas e Senhoras, acrescente ao pó de pemba , um pouco de sal e a mesma quantidade de açúcar cristal, deve-se fazer a mistura com ambas mãos em uma bacia branca ou tigela da mesma cor.

Note que ao final da mistura dos três pós brancos, teremos que cobrir este recipiente com murim branco e deixar descansando por ao menos sete horas, e para isso cabe-se colocar ao redor do recipiente três velas brancas com três copos de água, observe que formar-se-á um triângulo de velas e copos de água. Os copos de água ficam na frente da vela. Aguarde o término da queima das velas, as mesmas devem queimar por completo, despache em aguá corrente as águas contidas nos copos e os restos da parafina das velas devem ser colocadas em um jardim.

Recolha e guarde este pó que foi devidamente imantado um saquinho branco de linha, e sempre ao abrir da gira após a defumação utilize-o, assoprando o pó nos quatro cantos e no centro do Terreiro, sendo importante esclarecer que o Pai no Santo é a pessoa indicada para tal firmeza, eis que o mesmo é dotado dos fundamentos, rezas e demais conhecimentos para prover o axé que se espera.

Evidentemente, ao findar o ano não mais haverá a necessidade de guardar tal pó, deve-se renovar anualmente o mesmo, eis que o orixá de regência do ano é diferente no ano que se iniciará, desfaça-se do pó de encruzamento entregando-o nas calungas ou na encruzilhada de quatro lados.

No tocante ao fundamento, vale lembrar que a quantidade de sal e açúcar será a medida da pitada da mão esquerda do Pai no Santo, na quantidade da numerologia do orixá que regerá o ano.

Álan Madureira

Presidente da CCCJ

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Aqui falarei um pouco sobre como se processo o Cruzamento do Médium,longe mim querer impor absolutas formas de se realizar rituais dentro da Umbanda, apenas repasso o que aprendi, e com muito prazer compartilho com os amigos do ArteFolk.

Nas Umbandas, com frequência  observamos os pais no santo ou o Guia Espiritual utilizarem-se  da pemba para cruzamentos dos médiuns de seus Terreiros. Por que isso acontece? Observamos que o ritual se repete comumente antes de se iniciarem certos Trabalhos Espirituais que envolvam o processo de incorporação ou acoplamento áurico, por quê?

Adentramos o tema esclarecendo que alguns Trabalhos Espirituais requerem o cruzamento do médium, vejamos que antes de se iniciarem processos de incorporação, desenvolvimento mediúnico, desobsessão, puxadas, acoplamentos ou outros que envolvam o transe mediúnico, é  de bom tom que o médium se submeta a este processo ritualístico facilitador, que fará com que haja a abertura espontânea de alguns canais energéticos que facilitarão demais estes processos.

A Entidade ou o Dirigente dos Trabalhos Espirituais estará com uma pemba branca na sua mão direita e com a pemba  fará o sinal da cruz em alguns pontos diferentes no corpo do médium incorporador.

Toca-se com a pemba e risca-se sobre a pele o sinal da cruz na fronte ou chacra frontal, posteriormente na mão esquerda (palma da mão) e no pé direito (parte de cima), alterna-se a pemba na mão e passa-se para a mão esquerda para cruzar o médium incorporador em sua nuca, depois na mão direita (palma da mão) do incorporador e finda-se riscando a cruz no pé esquerdo (parte de cima). Feito isso, observaremos que seis foram os pontos tocados, fronte (Chacra frontal) e nuca, as palmas das mãos e a parte superior dos pés. Tais pontos quando em contato com o pó de atim (pemba) ficam abertos e aptos a captarem as energias de espíritos que se encontram desencarnados, aumentando-se a sensibilidade do incorporador ao contato com tais espíritos, nossos irmãos.

É fato que a literatura muito esparsamente fala nos pontos indutores ao transe, mas aqui neste, não caberá comentários acerca do extenso assunto. Senão esclarecer que este artigo foi escrito somente com a finalidade de mostrar que o Cruzamento do Médium se presta ao papel de abrir estes canais sensitivos de energias, sendo um facilitador ao médium incorporador e uma âncora ao mesmo.

Por que Cruzamento do Médium? Por que não outro termo que aparente uma facilidade de contato extra-sensorial? A pergunta fica fácil de ser respondida quando entendemos este cruzamento como um cruzamento das energias do médium com a egrégora dos desencarnados.

Assim, o que há é o cruzamento das duas energias, a física do médium e a paralela do plano espiritual. Há o entrelaçamento energético do visível com o invisível.

Álan Madureira

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ArteFolk Recomenda: O Evangelho Segundo o Espiritismo

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Allan Kardec é incisivo ao afirmar que todos os seres humanos são médiuns, eis que todos são dotados da faculdade mediúnica da intuição, mesmo que desta não tenha ele a consciência ou conhecimento.

Há médiuns que são mais evoluídos que outros e esse fato se dá porque cada um tem seu estágio de evolução individualizado e diferenciado, e isso deve ser respeitado sem que sejam emitidos pareceres, criticas e julgamentos. E, que fique muito claro que o médium bom verdadeiramente, não é aquele que se comunica facilmente com o plano espiritual, mas sim aquele que a sua conduta moral mais se assemelha aos espíritos evoluídos na prática do bem.

Para que os espíritos desencarnados se manifestem e operem com suas obras e feitos, imprescindível será a presença do médium em equilíbrio, eis que este é o que servirá de intermediário entre o visível e o invisível, entre a Terra e os demais planos, e a ele caberá a doação de fluidos energéticos para que ocorra a comunicação e os fenômenos entre encarnados e desencarnados.

Logo, cabe ao médium Orar e Vigiar, esse é o primeiro degrau da escada que dará acesso ao início do desenvolvimento, pois somente assim será possível manter-se o equilíbrio em pensamentos e atitudes, assim estará conectado e vibrando positivamente, atraindo para si e para todo seu entorno energias boas e espíritos benévolos. Mais importante que se afinizar com as energias superiores, é o desenvolvimento das suas qualidades pessoais e a reforma íntima diária, afinal, somos seres em constante aperfeiçoamento e desenvolvimento.

Sabedores que a imperfeição humana é latente nos habitantes deste plano, devemos como médiuns equilibrados cuidarmos só, e somente só, de nossas vidas, eis que somos espíritos individuais, e na escola da vida, somente nós podemos passar pelas  provas, nossos pais, filhos, amigos e parentes não fazem nossas provas da vida, nem mesmo as escolares, e não aprendem por nós. Somos individuais, aceitemos esta condição de sermos por nós e para nós, sem que com isto sejamos egoístas, tenhamos a humildade de entender o que está sendo posto, e assim poderemos subir o segundo degrau para o início do desenvolvimento.

O terceiro degrau é alcançado quando nós médiuns conseguimos nos abster dos julgamentos e comentários acerca dos comportamentos individuais de cada indivíduo, entendamos que  não devemos nos preocupar com a vida e com os atos alheios, nem valorá-los, deixemos de julgar nosso próximo,  devemos ter em mente que a hipocrisia de se ter a perfeição deve ser afastada, até porque o planeta é de provas e expiações, e necessária é a imperfeição humana para que haja a evolução e para que você como médium, instrumento, poder auxiliar seu próximo, pense e reflita: se não existir o problema, não haverá aprendizado, e não haverá a possibilidade de haver o auxílio espiritual, aceite e deixe de lado o preconceito, de raça, cor, opção sexual, estilo de vida, uso de vícios, e quaisquer outros, pois que  cada um está no seu momento, entenda e aceite que este julgamento não cabe ao médium equilibrado, julgue-se e esqueça de falar do próximo, se assim fizer, estará no topo do entendimento para não interferir na comunicação espiritual e será um bom médium.

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Um homem encontrou em seu caminho uma charrete virada, que atrapalhava a passagem. O camponês que conduzia a charrete pediu ao viajante que o ajudasse a colocar a charrete no lugar.

Como é que apenas dois homens poderiam virar uma carga tão pesada como essa charrete? – pensou o homem, e então disse ao camponês:

- É inútil…eu não posso.

O camponês ficou furioso e disse-lhe:

- Você pode, mas não quer! Esta é a verdade: você não quer!

Tocado pelo que dissera o camponês, o viajante pôs-se ao trabalho. Procurou umas pranchas e ajudou o charreteiro a deslizá-las sob as rodas. Depois, servindo-se de uma alavanca, os dois homens conseguiram levantar a charrete. O camponês afagou os bois e, depois de colocar a carga novamente no lugar, preparou-se para continuar o seu caminho.

O viajante então disse ao camponês:

- Posso seguir um pouco do caminho ao seu lado?

- Com prazer!

Começaram a andar lado a lado. Depois de um momento de silêncio, o viajante perguntou:

- Como você pôde pensar que eu não queria ajudá-lo?

- Eu pensei, porque você disse que não podia. Ninguém sabe se não pode fazer algo antes de tê-lo tentado.

- Mas como você pôde pensar que eu poderia fazê-lo?

- Assim que percebi que você havia sido colocado no meu caminho!

- Então você acredita que sua charrete virou exatamente no momento que eu passava apenas para que pudesse ajudá-lo?

- E por que outra razão seria meu irmão? – respondeu o camponês.

(Gislayne Avelar Matos “Storytelling – Líderes Narradores de Histórias” )

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Inicialmente, cumpre esclarecer sobre a origem do Ritual de Umbanda, tal fundamento confunde-se com a própria base teológica da religião e é importante o seu conhecimento ao médium praticante, pois que dá a noção e a compreensão basilar da estrutura da Umbanda.

A Umbanda sofre influência litúrgica e ritual de algumas tradições filosofo-religiosas, o catolicismo e o espiritismo, por exemplo, são fontes para a Umbanda, algumas das tradições e conhecimentos dos indígenas também estão presentes, bem como a influência dos Orixás, Encantos e encantarias, danças e demais fundamentos que foram herdados dos escravos africanos.  Logo, em essência, a Umbanda deriva dessas quatro bases filósofo religiosas.

Os rituais seguirão conforme a doutrina aprendida pelo dirigente da Casa. Certamente serão perpetuados pelos adeptos do culto naquele Templo e isso será diferente de Casa para Casa. Portanto, é importante ao médium em desenvolvimento obter conhecimento destas filosofias e religiões que influenciam a Umbanda, para fincar as bases sólidas dos entendimentos acerca do que será possível ou não em termos de rituais.

Visto isso, observe que a Umbanda é uma religião que individualiza seus rituais de Casa para Casa, e a prova disso é que não existe, nem existirá jamais, em lugar algum um Congá igual a outro, uma Casa de Umbanda igual a outra em rituais, em nada serão iguais os Templos Umbandistas, as Regências serão distintas, os pontos cantados, os dias de homenagem,  até a quantidade de Orixás cultuados será diferente. Já observou? Por que será assim? Será que o Centro Espírita que frequento é o certo, ou será ele o errado?

Todas estas indagações tem um fim quando o médium entende que cada Casa de Umbanda é projetada pelo plano espiritual para atender determinada demanda de adeptos em diferentes graus evolutivos, porém alinhados na mesma faixa vibratória de entendimento.  Ou seja, cada Templo está adaptado ao seu público e ,como nada acontece por acaso, somente chegarão para permanecer naquela corrente de rituais aqueles aptos e no mesmo nível vibratório. Logo, cada Umbanda é única e serve para seus adeptos, ou frequentadores esporádicos, que estão na mesma sintonia e que combinam e são afins para com a egrégora.

Aprofundando o assunto, veremos que o certo e o errado em termos de liturgia ritual não existe, o que haverá é o conhecimento do dirigente acerca dos fundamentos que permitirão o acréscimo de materiais e outros apetrechos ao ritual.

Aprendamos então a respeitar e a não julgar sem conhecimento de causa a diversidade de rituais de Centro para Centro. Em melhores palavras, cada médium precisa da Casa de Umbanda que tem, com o dirigente que tem, não existindo a casa certa ou a casa errada, e sim a casa que melhor funciona e apresenta melhor resultado prático ao desenvolvimento espiritual ou ao problema que se quer resolver.

E, por favor, quando se tratar de Umbanda não julgue fazendo críticas à sua própria religião, não sejamos hipócritas! Tentem entender, estudar, buscar as bases e as influências que inspiraram o trabalho, o ritual, a oferenda, e ao invés de criticar, permitam-se entender o novo.

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