fe-na-banda

Amigos,

Como está nossa fé? Alguém já parou para perguntar isso sobre si mesmo?

Estive em uma seção muito interessante nesse final de semana, no sábado e no domingo e me diz essa pergunta uma série de vezes para justificar outras tantas coisas que iam acontecendo. Como está minha fé agora? Está no lugar certo?

A fé em si é algo importante de se cultivar, mas a fé em que? Em Deus, simplesmente?

Acho que o desenvolvimento que temos que ter da fé vai além de nossa simples concepção de divindade, vai para um ponto mais profundo, para um lugar que não esperamos: vai para nós mesmos e para nossos irmãos.

Hora, é fácil acreditar em uma força que não entendemos e não percebemos diretamente, como um soco ou como um pedaço de pizza. Inventamos um rosto para ele, um nome, dedicamos a ele nossas conquistas ou mazelas e pronto: criamos uma divindade. Mas é isso mesmo?

Bom, um tempo atrás eu ouvi uma história que dizia que Deus nos fez a sua imagem e semelhança. Mas tendemos a nos manter longe de pessoas, tendemos a olhar o outro com desdém, ou com maldade nos olhos, com justificativas mais baixas possíveis. Mas se Deus nos fez a sua imagem e semelhança, quando olhamos nossos irmãos dessa forma, acabamos olhando a Deus dessa forma. Como espíritos, somos parte de Deus e como partes de Deus devemos nos tratar e tratar aos nossos irmãos como trataríamos Deus: Com respeito e amor.

Mas é difícil?

Sim, muito. E isso é metade da graça, pois se fosse fácil, não teria mérito algum. Qualquer um pode fazer coisas simples, mas os iluminados fazem as que parecem impossíveis. E só conseguem fazer o que parece impossível porque entendem que cada grande ação tem início no primeiro passo. Quer ver?

Dê o lugar para alguém mais velho sentar. Para uma senhora idosa, para uma mulher grávida, para a moça com criança no colo. Pronto, é o primeiro passo. Você está cansado do dia de trabalho? Imagine só seu irmão, com os ossos doídos pela fraqueza da idade, e ainda tendo que ir de pé. Se Jesus fosse mais velho que você e te pedisse auxílio, você se negaria? E por que se negaria a seu irmão?

Palavras fortes, talvez, para exemplificar uma ação boba. Mas pense bem: chegamos no terreiro ou no centro espírita e nos orgulhamos de receber nossos guias para fazer o bem, para dar um pouco de alento aos nossos irmãos necessitados. Nos orgulhamos de dizer: somos umbandistas imaginando que isso seja premissa para que pensem: sou uma boa pessoa, faço caridade. E também concordo que é um bom começo nos doarmos por alguns momentos na semana para, através de nossa mediunidade, permitirmos que nossos guias prestem a caridade. Mas e o resto do tempo?

Nós temos que nos acostumar a não dividir as coisas. Quer dizer: claro que há hora e lugar para incorporação e trabalho mediúnico, mas não para a caridade, e isso é feito a toda hora, em todo lugar e com qualquer pessoa. Caridade seletiva não deve ser premissa em nossos dias.

Pratiquem isso. Para quem gosta de imaginar formas interessantes de agradar seus amigos espirituais, sejam eles os “Orixás” ou os guias em si, entregas as mais diversas, com frutas, flores e tudo o mais que vier a cabeça, saibam que a melhor forma de se agradar nossos amigos evoluídos, é honrando o caminho que eles já fizeram para chegar lá.

Caridade é o amor em ação. Pratiquem.

Abs.

Nino Denani

Nino Denanié espiritualista livre, embora nos último anos tenha frequentado assiduamente um terreiro de Umbanda. Foi Ogã, mas abandonou a função em nome da assistência mediúnica e do aprendizado contínuo. Já foi kardecista, formado pela FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo), já tocou Umbanda de Nação, e visitou o Candomblé. Curioso por natureza, é meio chato quanto a afirmações absolutistas. Entre em contato comigo: nino@artefolk.com.br

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