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Amigos,

ArteFolk Recomenda: Livro dos Médiuns

ArteFolk Recomenda: Livro dos Médiuns

Estou muito pensativo ultimamente. Tenho avaliado algumas decisões de vida, alguns caminhos que tomei e vendo as conseqüências as quais me submeto hoje. Isso é natural e é algo que todos nós devemos (ou deveríamos) fazer em algum momento de nossas vidas. Na verdade, seria muito saudável se fizéssemos isso todas as noites, avaliando o dia que se foi. Mas entendo, também, aquela velha desculpa que teimamos em usar: o dia é tão corrido que mal dá tempo.

Tempo. Que mercadoria preciosa essa que se esvai de nossas mãos dia após dia.

Conversando com amigos depois de um dia corrido de trabalho, vi que temos uma certa urgência em fazer o tempo passar. Somos jovens, queremos que tudo aconteça naquele momento e quando planejamos algo para dali a alguns dias, rezamos para que esses dias passem logo. Acordamos de manhã cedo e rezamos para que chegue logo as 18h para podermos ir para casa descansar. Acordamos na segunda-feira rezando para que a sexta-feira chegue depressa. Começamos o mês e rezamos para que ele acabe logo, para recebermos o próximo pagamento. Iniciamos uma construção e rezamos para que ela termine logo. Fazemos um planejamento a longo prazo e rezamos para que o prazo não tarde a findar.

Mas e o que fazemos no meio?

Ao longo da conversa, fui percebendo que o meio é que é a verdadeira vida, o passar o tempo é que é a vida de verdade, pois o tempo da conquista é curto, mas o da batalha sempre é longo. A semana tem sete dias, mas esperamos por apenas dois deles. E os outros cinco?

Aprender a vivenciar esse momento de “meio de caminho”, ao meu ver, agora, é a verdadeira vida. E agora percebo o que a verdade que há nas palavras que meus pais me ensinaram, sobre um único aspecto dessa nossa vida: trabalhe com o que você gosta, e assim todo dia será uma diversão.

Muitos de nós corremos atrás de uma profissão, por exemplo, que terá uma maior chance de nos fazer ricos, de nos dar grandes somas em dinheiro. Largamos, muitas vezes, nossos passa tempos em troca de uma coisa que sabemos que será chata, entediante, mas que dará maiores frutos financeiros, e com isso perdemos toda essa verdadeira vida. Divertir-se com o trabalho é uma forma de aproveitar a vida.

Mas o que isso tem a ver com a Umbanda?

Simples: muitos de nós vivemos a semana toda esperando a próxima gira acontecer, porque aqueles parcos minutos, algumas horas que temos ali, dentro do campo santo, nos satisfaz, grande parte das vezes, mais do que deveria. Passamos a semana torcendo para o dia do trabalho chegar logo para podermos ser quem gostaríamos de ser em nosso dia a dia e com isso jogamos algumas fantasias em nossos momentos de incorporação. Porque quando estamos incorporados assumimos outros papéis, somos o malandro auto-confiante nos papéis de Exus, somos os fortes e invencíveis guerreiros com os Caboclos, somos os pacientes e benevolentes com os Vôs, somos as mulheres mais sexys do mundo, independente da forma de nossos corpos carnais quando estamos ajudando as Pomba Giras em seus trabalhos. Somos as pessoas mais inocentes e divertidas com as Crianças. Atabaque toca a girada e voltamos a assumir nossos papéis corriqueiros, rezando para o tempo passar até que a próxima gira nos faça sentirmos bem novamente.

Por que?

Quer dizer, não quero que ninguém aqui saia por aí sendo guia, mas porque não podemos continuar sendo Umbandistas em nossos dia a dia? Como um profissional que gosta do que faz e não para de fazer mesmo em casa, com sua família. Porque não podemos continuar sendo guerreiros enfrentando nossos problemas, sermos os malandros confiantes quando isso se faz necessário (veja bem: malandro no sentido bom da palavra, não confunda malandro com pilantra), não podemos nos divertir com as menores coisas do nosso dia a dia ou sermos pacientes com quem precisa de paciência, assim como fazemos no terreiro? Porque não estamos incorporados?

Bom amigos e irmãos, os momentos que ali estamos, juntos a nossos guias, estamos, na verdade, exacerbando uma qualidade que intrinsecamente já está em nós. Só o que fazemos, naqueles momentos, é darmos vazão a um amigo que vibrará em nossos inconscientes nos ajudando a liberar essas qualidades. É como se “vestíssemos” uma fantasia a partir do momento que pisamos no terreiro. E porque não continuar com essa fantasia em nosso dia a dia até que ela se torne nossa verdadeira face?

Claro também que não quero que ninguém saia por aí berrando como um caboclo ou chupando chupeta, porque isso não é o fundamental e nem é o que nos fará sentirmos melhor, mas porque não tentarmos usar as qualidades de nossos guias em nós mesmos?

É difícil? Sim, bastante. Mas já conseguimos fazer isso algumas horas por semana, então só temos que nos concentrar em aumentar esse período. Fazendo isso, duvido que algum de nós vá querer deixar o tempo correr novamente, esperando algo lá longe, e deixando o agora para trás como se fosse um simples obstáculo a ser ultrapassado.

Tentem e me contem o resultado depois!

Abs.

Nino Denani

Nino Denanié espiritualista livre, embora nos último anos tenha frequentado assiduamente um terreiro de Umbanda. Foi Ogã, mas abandonou a função em nome da assistência mediúnica e do aprendizado contínuo. Já foi kardecista, formado pela FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo), já tocou Umbanda de Nação, e visitou o Candomblé. Curioso por natureza, é meio chato quanto a afirmações absolutistas. Entre em contato comigo: nino@artefolk.com.br

2 Respostas to “Sobre o tempo que passa”

  1. Boa tarde e Asè !

    Do que escreveu “sobre o tempo que passa” , apenas isto : sério … e profundo!

    Parabés,

    Olorun modupé !

    Abraço

    • Oi Jomar!

      Muito obrigado! Às vezes algumas inquietações nossas são válidas para outras pessoas também… por isso escrever para o AF é tão gratificante pois, mesmo não tendo comentários, como as vezes acontece, esperamos que alguém, pelo menos, seja tocado pela mensagem.

      Abs.

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