

Amigos,
Nesses dois últimos dias andei lendo um livro muito bom acerca de usos e costumes (pelo menos os espirituais) de algumas tribos negro-africanas. Estava pesquisando sobre algumas duvidas que tinha dos mitos dos Orixás, coisas de nomes e que tais e que, para a minha sorte, consegui a maioria das respostas. Acredito que essas dúvidas também arrebatam vocês, ávidos pesquisadores ou simples leitores, que já ouviram e leram várias lendas diferentes para os mesmos personagens. Por exemplo, uma lenda que conta que Xangô era marido de Yemanjá e uma que conta que Xangô era, na verdade, filho dessa deusa.
Bom, em primeiro lugar temos que entender o que o conceito de Orixá trazia para os negros na África.
Orixá é, ou foi, um personagem vivo, um homem ou uma mulher que, em tempos muito remotos assumiram certas funções na terra. Ogum, por exemplo, era um rei, fundador da tribo de Ilê, por isso não é tão difícil encontrar por aí a saudação a Ogum como “Ogun-Ilê”. Outra coisa muito importante que temos que conhecer é a relação das tribos africanas com a palavra.
Para eles a palavra não é só uma coisa que escoa da boca de quem fala e morre por aí: a palavra é o próprio ser, o próprio objeto. E quando essa palavra é o nome de uma pessoa, a coisa é ainda mais profunda, pois tem todo um significado especial, referente a linhagem, casta e antepassados, que remonta ao primeiro homem na terra, homem esse que agora é um Orixá.
A criança, assim que nasce, é visitada por um babalaô, que não é como o pai de santo tupiniquim, é uma espécie de oráculo, que recebe as revelações diretamente do antepassado. Para eles, uma pessoa que morre reencarna em sua própria família, algumas gerações depois. O babalaô, como mestre das almas e conhecedor dos espíritos, sonha ou intui através dos jogos adivinhatórios (búzios, contas ou sementes) descobre qual antepassado está para reencarnar. A partir de então o nome da criança é composto, da seguinte forma:
O primeiro nome tem a ver com alguma característica da própria criança, característica essa percebida ou desejada. Ela pode se chamar, por exemplo, “forte”.
O segundo nome é o mesmo nome do antepassado que vai reencarnar e o último nome é o nome do clã, da família.
Por isso Xangô pode ter sido filho de Yemanjá ou marido dela, pois isso aconteceu com pessoas diferentes. Ou melhor, com corpos diferentes, em diferentes épocas, apesar da pessoa ser, segundo a crença, a mesma em essência.
O livro que estou lendo é muito bom e traz muitas cosias que são mandatórias para quem gosta do culto ancestral mesmo. E trás esses cultos em várias partes do mundo, não se reservando apenas à África. Ele nos conta sobre os cultos espiritualistas em Haiti, Cuba, nos EUA e até mesmo aqui, no Brasil.
Vale lembrar que ele trás a interpretação (embora baseada em estudos) de uma pessoa, não a verdade em si.
Para saber mais: Kitábu – O livro do saber e do espírito negro-africano. Autor: Nei Lopes. Editora: Senac Rio. 336 páginas. Inclui bibliografia.
Abs.


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Obrigado Nino , pela indicação do livro me parece bem legal
Vou buscar
Abs
oi blz tudo bom com vc o meu nome e gabriella e o seu