
Amigos,
O que vou falar aqui não é um assunto comum, corriqueiro. Na verdade, até minha entrada no atual centro, eu nunca tinha ouvido falar. O que eu quero fazer aqui é transcrever o que eu senti no dia passando por essa experiência, embora não diretamente, e não dizer que o que fazemos, da forma que fazemos, é mais correta ou mais acertada.
Uma vez por ano, os médiuns com dois anos de terreiro passam por uma espécie de teste. Lá, devido ao tamanho, conseguimos fazer com que todos passem por pelo menos três fazes antes de fazerem a coroa (juremação, feitura…) e assumir o grau de passista. Lá, quem inicia, depois de ficar um tempo no desenvolvimento, é “anjo de guarda” por um ano. Em janeiro, os “anjos de guarda” assumem o grau de “primeira obrigação” e ficam por mais um ano quando, no janeiro seguinte, assumem a “meia coroa”. Aí, em setembro, acontece um teste para a coroa.
Todos aparecem. Nós temos duas giras com médiuns diferentes, devido ao número de pessoas que trabalham, mas nesse dia todos vão. O terreiro enche. Cospe médiuns pela janela. A respiração é difícil, o calor intenso, mas ninguém reclama, porque todos esperam o dirigente chamar o primeiro nome.
O médium sai de sua posição nas filas e vai para a frente do congá. O dirigente solta algumas instruções em seus ouvidos: “está calmo? Se alimentou bem? Está bem espiritualmente? Então deixe o guia vir.” Ele pega uma pemba virgem e a encosta na testa do filho. Depois deixa que o guia venha.
E ele vem.
Baixa no filho de santo calmo, tranqüilo, sem tremeliques e pulas-pulas. O dirigente, então, pega a pemba e percorre o congá. No chão, cinco cumbucas estão viradas com a boca para baixo. Ele mexe em algumas para que o som do atrito com o chão se faça claro. Depois levanta, contorna o médium que estava de costas para ele e se mistura com os outros 100, 150 médius. O filho está a mercê do seu caboclo.
-Xangô! – fala baixo o dirigente e a corimba responde com um ponto cantado baixinho, sem atabaques.
O filho anda, divaga, não está certo em sua conduta.
- Oxossi! – um novo apelo. E como resposta, um novo ponto.
O filho dá uma girada, seus cabelos voam, mas ele ainda não tem certeza.
- Ogum! – e dessa vez ele faz um sinal com uma das mãos para que o atabaque toque. Todos cantam. Pontos de Ogum são difíceis de resistir. A corimba pede para baixar o volume, mas ninguém cede. Ela sorri. E o filho dá um pinote.
O dirigente já está do outro lado do terreiro, às costas de seu filho. Ele sinaliza com a mão: Caboclo, sua pemba está lá. E o filho responde mesmo sem ver.
Saracuteia daqui, gesticula de lá e o filho sai da frente do congá, de perto das pequenas cumbucas. Todos se entreolham. O filho caminha para trás, pelo corredor humano formado pelos seus irmãos de fé.
Pára.
Entra no meio da multidão, de olhos semi abertos, suor pingando de sua testa.
Pára.
Fica assim instantes. Parecem horas. De repente, de um sobressalto, o filho ajoelha-se perante uma das irmãs e estende sua mão. Do outro lado do terreiro o dirigente grita:
- Pemba!
E todos aplaudem.
O restante é dar nome e ponto. Isso é fácil. Mas como explicar o encontro da pemba? Como explicar que, entre 150 pessoas, o médium corra diretamente para a pessoa que guardou o pequeno objeto no bolso, a despeito dos sons que o dirigente fez com as cumbucas?
Não tenho como explicar a não ser pela fé na Umbanda, pelo que a Umbanda é. Acredito que isso seja o suficiente para que quem esteja ali descrente, no mínimo pense a respeito.
Eu não desacredito, mas ainda assim fico arrepiado só de lembrar.
Abs.
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P.S: Lembrando que o teste é uma coisa que acontece na nossa casa, como medida para várias coisas. A não utilização desse teste não quer dizer que seu terreiro é menor ou maior, melhor ou pior. Cada um faz o que precisa, da maneira que precisa, para a caridade acontecer.


Eu já ouvi falar que em alguns terreiros existem testes, mas esse foi fabuloso. Parece até conto, mas todos os testes que ouvi até hoje tiveram essa conotação.
Acredito que isso aconteça; essas maravilhosas e inesperadas reações, pelo que já vi e vivi em 4 anos de tragetória nesse fantástico e fascinante mundo da Umbanda.
Oi Jeanne
é… e nesse domingo foram 25 testes… todos nessa fôrma… é incrível mesmo…
Abs.
É realmente para aquele que duvida de sua fé, esses testes são para acabar com qualquer dúvida.
Maravilhosos de se ouvir/ler, inacreditáveis para quem vê.
é verdade, esses testes são maravilhosos. impossível achar que ali não tem um guia.
mas só quem passou por ele sabe o que é.
e posso dizer que nenhum adjetivo terreno estaria à altura do que se sente na incorporação do teste.
é mais do que maravilhoso! é divino!
Olá Nino! Fiquei até arrepiado com sua pequena descrição deste último domingo!!! Se não estivesse presente e não conhecesse o terreiro que frequento há anos pensaria que seria apenas um conto!! Mas isto é a prova viva de que a Umbanda e a espiritualidade existem e muito próximas a nós, embora muitas vezes duvidamos! Muita coisa você vai continuar sem enteder, outras compreenderá com o tempo! Se tiver dúvidas me pergunte ou pergunte a quem você confiar! Tenho certeza que será bem esclarecido!
Abçs e estou aprovando o Blog!
E aí camarada, como vai?
eu é que não acredito que vc demorou tanto tempo pra entrar no nosso blog! Seja bem-vindo!
Abs.
Oi Nino, oi a todos.
Pois é… a energia é muito forte e linda. Só temos que abrir nosso coração para as coisas do espírito. E tão linda quanto a sua narração é quando sentimos a presença dos nossos guias, quando aquelas palavras e gestos tão cheios de amor e carinho tocam bem no fundo do nosso coração e do coração dos assistentes…
Quanto a agradecer. Pai, obrigado.
Beijos no coração,
Mamprin.
Interessante.. senti ate a vibração… eh com certeza o neofito ganhou muito mais confiança agora.. heheheeheh..abraços