jun 252009

Amigos,
Dentro dos trabalhos de Umbanda, a forma mais comumente utilizada de interação com os espíritos é a chamada incorporação, que faculta não só o entendimento direto e pessoal com os espíritos, como também possibilita o doutrinamento e esclarecimento, tanto do encarnado quanto do desencarnado. Segundo Edgard Armond, “sobre cem médiuns observados, provavelmente oitenta serão de incorporação. Desses oitenta, cinqüenta serão conscientes, vinte e oito semi-conscientes e dois inconscientes e esse último apresenta dois aspectos, conhecidos no meio Kardecista como transe sonambúlico e transe letárgico“. Não vou me aprofundar nesses aspectos, pois eles são tão raros dentro da Umbanda e não faria sentido, agora. Na incorporação consciente, o espírito comunicante (desencarnado) aproxima-se do médium, não mantém contato perispiritual e, telepaticamente, transmite as idéias que deseja enunciar. O médium, por sua vez, passa a mensagem utilizando-se de seu fraseado característico, com maior ou menor fidelidade e clareza. Essa modalidade, de maior expansividade, exige dos médiuns um comprometimento com a cultura e estudo enormes, que não devem ser ignorados, por facilitar, assim, a transmissão da idéia original da forma mais corretamente possível. Nessa categoria de incorporação temos muito presente também a questão do animismo que, segundo Ramatis, de forma nenhuma deve ser repreendida (salvo exageros) por ser assim, uma forma dos guias espirituais doutrinarem, também, seus médiuns. Na forma semi-consciente o espírito comunicante entre em contato com o perispírito do médium atuando, assim, em seus órgãos e membros. O médium fica, portanto, em um estado de semi-adormecimento, sujeito a influência do espírito comunicante sem, todavia, conseguir furtar-se dela (salvo se agir deliberadamente para isso).
Obtido esse estado o espírito pode transmitir mais livremente suas idéias que ficam, é claro, dependendo da maior ou menor perfeição do instrumento (Edgard Armond, Mediunidade,82-83). E por fim, a forma inconsciente, onde o médium é levado a desdobrar-se em transe sonambúlico ou letárgico e deixar seu corpo carnal, exteriorizando-se temporariamente, passando então o corpo, mais ou menos inteiramente, à disposição e controle do Espírito comunicante. Obviamente essa é a forma mais rara e mais completa de incorporação e só se dá mediante a observação de guias e mentores do mundo espiritual, mesmo que pareça, ao primeiro olhar, algo violento. Na verdade, a violência ou ao incômodo que causa uma mediunidade não devidamente trabalhada, serve de degrau evolutivo, de alarme ou algo do gênero. Essa modalidade de mediunidade quase sempre é de provação para o médium e é inteiramente não recomendada, pelos transtornos que pode causar. Mediunidade inconsciente não é controlável, não respeita hora e nem lugar sendo, sempre que possível, recomendado o doutrinamento do médium a fim de que ele possa, também, auxiliar na questão evolutiva tanto dele quanto de outros.
Vejam que nenhuma mediunidade é melhor ou mais importante que a outra, tendo cada uma seu motivo e seu lugar. Então vale a pena ser honesto na hora de explicar sobre sua própria mediunidade. As vezes falamos algo que pensamos ser o muito correto e acabamos passando por bobos.
Abs.

Excelente mensagem!
Peço licença para utilizá-la nas reuniões de estudo da Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua.
Grande abraço,
Julio Cezar Gomes Pinto
oi Julio Cezar!
claro que pode usá-la! Só pedimos para dar os créditos.
Abs.